quarta-feira, 30 de abril de 2008

WARREN ELLIS: TRANSMETROPOLITAN

O Warren Ellis é mais um Britânico de (muito) sucesso no universo dos comics, nascido em 1968, começou nestas andanças nos inícios dos anos 90 na revista Deadline; também, no início, deu o seu contributo a personagens como o Judge Dread, mas o seu primeiro trabalho on-going foi para a revista Britânica Blast! com a série Lazarus Churchyard. Esta série é o início da contínua e distópica visão do futuro que o Warren adopta para as suas séries, exemplo é a série que me traz a este post, mas já lá vamos…
Na Marvel iniciou-se no efémero título Hellstorm: Prince of lies em 1994, mas foi com a série Excalibur que Ellis mais se notabilizou. Também trabalhou para a DC, para a Caliber e para a Image Wildstorm onde o seu Gen13 foi um sucesso e que acabou, por sua vez, nas mãos da DC. Em 1999, a série Planetary, com os fantásticos desenhos do John Cassaday, atingiu também níveis de sucesso elevados; também é de referir a série Authority. Mais trabalhos do Ellis mereceriam aqui destaque, em especial os mais recentes no main-stream, mas o que me trouxe essencialmente a este post foi uma série que apesar de já “antiga” ainda merece muito destaque:


TRANSMETROPOLITAN! Esta série iniciada em 1997 pela mão da DC Helix inprint, mas com os direitos pertencentes ao autor, começou com três comics, tendo depois passado para a Vertigo que a levou até ao seu fim em 2002. A estrela da série é um jornalista mucho loco de uma América do Norte futurista e muito distorcida: Spider Jerusalem. O início da estória apresenta o personagem guedelhudo com fortes parecenças ao Alan Moore na sua fase eremita (será que é uma homenagem?!). O humor negro e sarcástico misturado com doses elevadas de loucura, misturado numa fauna inserida num futuro completamente distópico, preenchido por humanos farmo-geneticamente e electro-mecanicamente alterados criam um cenário digno de se ver. Desenhado pelo Darick Robertson, é um must-read para quem gosta de fugir um bocado ao main-stream e se delicia com argumentos mais negros.


Reeditados, por várias vezes, em TPB, são 10 números mais um número 0 (que deverá ser lido em último lugar). O primeiro TPB, apesar de poucas páginas (só tem 3 dos 60 comics publicados) tem um papel muito bom; infelizmente os seguintes não tiveram a mesma sorte, o papel é semelhante ao apresentado na série Hellblazer/Constantine, o que faz perder um bocado a cor e a luz sumptuosa que supostamente deveria apresentar…o que é uma pena! No entanto, eu aconselho-o veementemente.

Com este post encerro o Mês de Abril…13 dava azar :-) … o primeiro de, espero, muitos mais meses de posts onde partilho o meu gosto por esta fine art.

terça-feira, 29 de abril de 2008

VASCO GRANJA E O "CINEMA DE ANIMAÇÃO"

Não é BD, mas tem tudo a ver!


Li há pouco tempo um texto sobre o Vasco Granja e não dizia coisas bonitas sobre o programa dele na RTP. Isto levou-me a escrever este post sobre ele e partilhar com quem lê este Blog, e que já tem uns aninhos em cima, algumas considerações pessoais sobre o Vasco Granja e o seu programa “Cinema de Animação”, estreado em 1974.


Tendo eu crescido também na companhia do Vasco Granja e sendo eu hoje um fervoroso admirador de BD e de Cinema de Animação – no qual incluo os Cartoons ou Looney Toons – não posso deixar de recordar esses famosos "Koniec" (lê-se "Konieche"), os quais eu tanto abominava. É certo que pelo período, em Portugal, estes filmes de animação eram incontornáveis. Eu e todos que eu conhecia, adultos incluídos, não compreendíamos essa animação, achava-se até que era imprópria para crianças. Hoje, adulto, dou-lhe agora valor. Não quero dizer com isto que a aprecio, mas pelo menos conheço mais do que os Cartoons Norte Americanos pejados de um outro tipo de "violência" – reparem nas aspas, por favor. Nos EUA e nos países que importavam a sua cinematografia, a comédia ainda se apresentava um pouco na escola do grande Buster, e, claro, do Charlie Chaplin, entre outros: não havia nada melhor para largar uma gargalhada do que uma tarte na cara, um pontapé no traseiro ou um grande trambolhão; por isso, tentar de tudo para comer um canário, um Road-Runner, ou um coelho enxovalhar um pato era receita certa para rir.
Mas quero fazer justiça ao caro Vasco Granja, porque ele a merece. Ele trouxe-nos de tudo um pouco e sendo ele maestro do seu programa era justo que desse a conhecer coisas que ele gostava; e estou certo que outros também gostavam. Serviu para trazer a todos nós nem que fosse o conhecimento da palavra “Fim” em Polaco. Esquece-se, quem lhe faz criticas tão ferozes, que se conheceram Friz Freling, Hugh Harman, Ub Iwerks, Rudolph Ising e o resto dos muchachos do Leon Schlesinger’s Studio, e depois da Warner Bros. (com a MGM no meio do caminho) devê-lo-á agradecer ao Vasco Granja. Se sabe o que são as Merrie Melodies e os Looney Tunes e claro o nome do também grande Chuck Jones, a quem o deve? Ao Vasco, claro! Centenas de horas deste tipo de animação. A primeira vez que ouvi falar de Anime foi da boca do Vasco. Outro cinema de animação, como o Canadiano com o brilhante, genial, Norman McLaren (que eu também não gostava muito, mas hoje dou-lhe todo o valor- naquele tempo só gostava mesmo era dos Looney Tunes), foi de facto o Vasco, claro, quem mais?! Se a pronúncia do Inglês do Vasco Granja não era perfeita – como alguns o acusam – é porque ele não é Inglês! Criticam-no por explicar o filme antes do visionamento; pergunto: Não seria para que as crianças que ainda não conseguiam acompanhar as legendas o pudessem compreender melhor?


Na revista Tintin li grandes entrevistas levadas a cabo pelo Vasco Granja. Foi com o Vasco e com outros da sua geração que Portugal viveu o seu melhor período bedéfilo de sempre. Desde então, Cinema de Animação é uma miragem autêntica. Os canais de cabo têm animação para criancinhas o dia todo, é verdade; e elas gostam, é verdade.


A mim, agora que gostava de ver o que se faz por esse Mundo em animação, faz-me falta o Vasco.


PS: Aconselho a leitura de uma entrevista feita ao Vasco Granja em 2003 através do seguinte URL: http://www.amordeperdicao.pt/especiais_solo.asp?artigoid=119
Agradeço a foto colocada neste post ao amordeperdição.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

As Cidades Obscuras: A Fronteira Invisível.




Este álbum é o número dois da série. Como sabem só foi editado o número um em Portugal, com a chancela da Witloof.

Se quiserem ler o final da estória e não dominam o Francês, aqui está uma boa oportunidade de o fazerem, mas em Inglês. Aonde? Na Amazon.com, pois claro! Espero que os tipos me comecem a pagar alguma coisita :-) pela publicidade.

Eu já tenho o meu a caminho; custou-me $13,46 mais portes e só lá ficaram mais dois..."more on the way" dizem eles...mas não acreditem muito nisso!

VALERIAN, ENCORE






Sabendo dos preços praticados no mercado alfarrabista e de leilões do álbum "Os Círculos do Poder", encontrei na Amazon.com este álbum com o ciclo completo em edição Hardcover. Só existem três e o preço é bastante apelativo: $12,91, mais portes. Este álbum triplo contém os títulos "Sobre as Fronteiras"; "As Armas Vivas" e "Os Círculos do Poder". Para quem não se importar de não ter na colecção o álbum da Meribérica, esta será a melhor e mais barata hipótese de ler o melhor dos três. Apressem-se!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

METABARONS: ALPHA/OMEGA

Quando li o álbum da VitaminaBD "Castaka: Dayal, o primeiro antepassado" lembrei-me do TPB da Humanoids Publishing que tinha adquirido por volta do ano de 2003. Este TPB está disponível através do site da Humanoids Publishing e estes caracterizam-no assim: "Travis Charest, Juan Gimenez, and Moebius all come together in this must-have Metabarons special! Metabarons: Alpha/Omega is a celebration of the series' past, as well as a look into its future. Featuring short stories as well as missing pages from Incal and Metabarons, all written by Metabarons creator, Alexandro Jodorowsky, Alpha/Omega is an important history lesson for any fan, new or old. This is the first-ever published Metabarons material by Travis Charest, in a story that leads into his upcoming projects featuring the characters. Also appearing is the story "The Crest of the Castaka," by Jodorowsky and Gimenez, which tells the origin of the tattoo that adorns the chest of every Metabarons, as well as pages by Moebius and Gimenez that have never seen print in America. Metabarons: Alpha/Omega is the perfect place for new Metabarons fans to see why the series has gained such critical acclaim from creators such as Warren Ellis. And Travis Charest fans are sure to turn out en masse to see what is sure to be some of the best work in his already illustrious career. Cover by Charest. There are nine pages of beautiful art by Travis Charest, plus the cover and a gorgeous pin-up. You'll also find twenty-four pages created by Gimenez and eight pages of incredible art by Moebius - all of which have never seen print in America!"



Para rematar, se são realmente fans da série, então não podem deixar de ler este TPB e deslumbrar os fantásticos desenhos do Gimenez (Juan) e ter uma ideia real do que poderia ter sido o álbum se desenhado por este na vez do Das Pastoras; isto porque existem cenas que são iguais às do álbum. Claro que também terão o absoluto prazer de ver o desenho do Moebius e – talvez pela primeira vez, se não conheceram a série Wildcats – os fantásticos desenhos do Canadiano de 39 anos, Travis Charest (também autor das duas capas aqui retratadas). A não perder.

sábado, 19 de abril de 2008

GARTH ENNIS

Desta vez vamos para as terras de Sua Majestade, ter com um dos grandes nomes da escrita: Garth Ennis.
A “Old Albion” tem nos trazido muitos dos grandes nomes da escrita de comics; nomes como Alan Moore, Grant Morrison, Neil Gaiman e outros, muitos outros, trouxerem aos comics uma maturidade muito bem-vinda pelos leitores que, também mais maduros, já ansiavam por guiões mais elaborados onde a figura dos homens em cuecas por cima do spandex ganhasse outra dimensão e profundidade. Os comics para adultos, onde o CRÁS, BANG, SWOSH e outras omanatopeias caíram e foram substituídas por silêncios que emanam emoções, atingiram um patamar tal que começaram a ser considerados “leituras sérias” e admitidas nos best-off da literatura (Watchmen). Também é justo referir que esta escola se apoia em velhinhos onde essa preocupação era já evidente. Aqui é incontornável o nome do absolutamente brilhante Will Eisner; mas este terá o seu próprio e futuro post neste Blog.

O Garth Ennis, que fez este ano 38 aninhos e é Irlandês do Norte – ou da Tuaisceart Éirean, no idioma local – começou a escrever para comics no ido ano de 1989 na série Troubled Souls, aparecendo na super aclamada e efémera série Crisis, ilustrado por John McCrea. Ennis, com o seu estilo violento, sarcástico e de desdém para com o “Super-heroe establishment”, é mais conhecido pela série Preacher da DC/Vertigo, mas os seus trabalhos são já quase que incontáveis; podemos lê-lo em Judge Dreadd (Muzak Killer e o épico Judgment Day, por exemplo); Hellblazer; The Demmon, etc, et etc.

Mas o que me trouxe a este post, com o Garth Ennis, foi a recente série “The Boys”. A imagem que abre este post é a do TPB número 2. Sem fugir à sua regra, acentuando-a até, esta série é de uma brutalidade absoluta, onde os sotaques Escocês, Cokney (devidamente explicado, quando aplicado), Norte-Americano (dependendo do Estado), Francês, ganham vida através dos personagens que nela figuram. Os Super-Heróis são uns tipinhos execráveis que necessitam de ser açaimados e chamados à atenção, quando necessário (e quando não, também). Aí entram os Boys (e girl) do Billy, dono de um bulldog bem sacana chamado Terror, e também dono de um humor negro como o breu; em suma, um FdP com quem acabamos por simpatizar (!). Patrocinados pela CIA, estes tipos vão dar uns cascudos fortes e feios no pessoal do spandex e capinha esvoaçante, que em geral não passam de uns escróques sem moral, passo a redundância.
Editado pela Dynamite em TPB, já com dois números disponíveis, é um must-read indeed. Preparem-se para muito sangue, sexo (homossexual, em grupo, bi-sexual, animal, heterossexual com raiva, etc), mais sangue…e mais sexo, tudo isto com um argumento excepcional. O traço é do Darick Robertson (deste trarei, brevemente, um post sobre outra excelente série: Transmetropolitan).


quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ben Templesmith


Já que se anda a falar tanto nele, por diversos motivos (aconselho a leitura do post no Blog http://nona-arte.blogspot.com/ e também no http://bongop-leituras-bd.blogspot.com/), decidi aqui também falar do rapazinho.

É um jovem de 30 anos, Australiano, que debutou na Image como artista no título Hellspawn em 2002. Não demorou muito a dar nas vistas e a criar a sua própria série, também em 2002: 30 Days of Night na IDW (Idea and Design Works). Mora em San Diego, na Califórnia, onde o podemos ver a deambular, quando não sentado na IDW, na San Diego Comic Con (a quem eu aconselho, também, a visitar um dia e respirar comics à séria durante pelo menos um dia e ver a “Loucura Americana” ao vivo).

Em parelha com Steve Niles é espectacular e a solo também se safa muito bem, mas isto são gostos…e normalmente não se discutem. O Ben é bastante controverso quanto ao estilo, mas consensual quanto à qualidade do que produz. Tem cerca de 15 livros publicados; procurem-nos e leiam-nos que valem bem a pena, julguem-nos, critiquem e comentem por vocês neste post (ou noutro).