No último post abordei, muito, muito levemente o que o Brasil tem para
oferecer na arte sequencial. Foi apenas um arranhar da superfície do enorme, gigantesco, maná que o Brasil tem sido e é. Houve um comentário que referia o meu gosto pelos “quadrinhos” Brasileiros. Curiosamente, aquele foi o único post (Ed Mort) que eu até agora escrevi abordando os “quadrinhos” genuinamente Brasileiros. É certo que poderia inundar este bloguezito com material genuinamente Brasileiro, como também referi num dos meus comentários: “Gosto muito do que é feito no Brasil. Tem lá gente, muita gente, com imenso talento. Depois há estes gigantes, sem ordem especial: Mauricio de Sousa, Luís Fernando Veríssimo, Miguel Paiva, Edgar Vasques,
Laerte, Glauco, Fernando Gonsales, Angeli, Ziraldo, Henfil, Mozart Couto, Nilson, Jô Oliveira, Watson Portela, Luís Gê, Lourenço Mutarelli e velhinhos como Armond e Renato Silva, ou mesmo Ângelo Agostini, J. Carlos e Luíz Sá.”.
Como se pode ler, teria muito tema por onde escolher, e mais.As referências que eu usualmente recordo são, quase invariavelmente, Brasileiras. Na década de 70, a par com as ainda abundantes publicações periódicas Portuguesas (Tintin, Spirou, Falcão, Guerra, FBI, Cuto, álbuns Bertrand, etc) havia um marasmo de publicações Brasileiras que cá chegavam (com cerca de seis meses de atraso). Publicações Brasileiras que
raras vezes se repetiam com outras publicações Portuguesas (noutro formato), ora por já terem desaparecido, ora estavam
prestes a desaparecer (Mundo de Aventuras, Mosquito, Grilo, Camarada, etc). Personagens Norte americanas como “Luluzinha”, “Bolinha”, “Pernalonga”, “Patolino”, “Zé colmeia”, “Faisca e Fumaça” “Frajola e Piu-Piu”, “Satanésio”, “Gaguinho”, “Alceu e Dentinho”, “Os Monstrinhos”, “Crás”, “Heróis da TV”, “Speed Racer”, “Super Mouse”, “Pimentinha”; “Riquinho”, “Brotoeja”, “O Recruta Biruta”, “O Recruta Zero”, “Fantasma”, “Mandrake”, “O Pato Donald”, “Tio Patinhas”, “Mickey”, “Disney
Especial”, “Edição Extra”, “Zé Carioca”, “Almanaque Disney”, “Flintstones”, “Os Jetsons”, “Kamandi”, “Sarg. Rock”, “Super-Homem”, “O
Homem Elástico”, “O Arqueiro Verde”, “Jornada nas Estrelas”, “Batman”, “Supermino”, “Fix e Fox”, e muitas outras; também, claro, toda a “parafernália” do universo Marvel e DC que atravessou várias décadas e variadíssimas editoras (já entrando nos anos 90 e séc. XXI).Editoras como a RGE, a Bloch, a Abril, a Ebal, a Cruzeiro, a Vecchi, a Trieste, enchiam os escaparates com imensa oferta de “quadrinhos”. Era uma fartura!
Ser-me-ia completamente impossível escrever sobre muitos dos personagens que já abordei sem fazer justa referência às publicações Brasileiras que primeiro nos deram a
conhecê-los. No entanto, nenhum é genuinamente Brasileiro. É certo que alguns tinham produção própria no Brasil (MAD, Zero e Estúdio Disney são exemplos), mas a grande maioria eram importações Norte-Americanas de comics da Harvey, King Features, Disney, Marvel, DC, Warner e Hanna & Barbera, destacando-se como nomes mais sonantes.Os anos 80 trouxeram-nos mais publicações
genuinamente Brasileiras, para além das já existentes “Mônica”, “O Sitio do Pica-Pau Amarelo”, “Cacá e sua Turma”, “O Menino Maluquinho”, “Turma do Pererê”, “Os Trapalhões”, “Pelézinho”, “Chico Bento”, “Cebolinha”, etc.: “Chiclete com Banana”, “Circo”,
“Geraldão”, “Níquel Náusea”, “Piratas do Tietê” e outras de uma nova vaga de criadores que elevavam o estilo do típico quadrinho em gibi formatinho para revista e introduzindo um novo género de quadrinho, mais mordaz e “sem-vergonha”, virado para um público mais adulto, ou menos infantil, se preferirem.Portanto, muito teria eu para escolher dentro do “universo” Brasileiro. Vejam bem que apenas rocei o que
se passou a partir dos finais dos anos 60. Existe uma história riquíssima dos quadrinhos Brasileiros anterior a essa década.Ainda hoje, pese as constantes crises
que o Brasil atravessou e atravessa, existem dezenas de publicações periódicas e não periódicas. Infelizmente, Portugal tem vindo a perder, de década para década, de ano para ano, o caminho desbravado desde o início do séc. XX pelos nossos grandes antepassados bedéfilos. Esta tem sido a pior década de sempre na história da BD em Portugal (referindo-me à oferta nos escaparates e livrarias). Nem
as edições Brasileiras nos salvam, pois deixaram de cá chegar na variedade que se apresentam no Brasil. Voltam-se as novas gerações, cada vez mais, para as importações Norte-Americanas (devido ao aumento da aprendizagem na língua Inglesa).























Boa leitura.


A série conta, em formato de tira, as peripécias quotidianas de uma família Norte-Americana em tempo quase real. Os criadores indicam que o rácio de tempo será de 3 para 1. Começou em 1990 

Posso afirmar que após ter lido o “treasury”, e ainda durante aquela fase do “vamos-não-vamos”, fiquei viciado na série. Gastei uma pipa de massa a adquirir, em tempo recorde, os livros todos da série até então (18), pois lia-os a um ritmo frenético e sempre cheio de boa disposição (tirando aquelas fases introspectivamente assustadoras do “Uí! O que me espera!” e “Será que terei estofo?!”). A minha esposa tornou-se uma fã incondicional da série também.
Obviamente, não decidimos ter um filho por causa desta série, nem seria esta série que nos faria decidir o contrário, caso haja alguém a perguntar-se se eu seria cretino ao ponto de tal. Consigo ser cretino em muitas coisas e até com uma certa facilidade, mas nesta não fui.
A série acompanha o crescimento dos filhos do casal MacPherson, primeiro o da filha Zoe, dois anos depois o do filho Hammie e finalmente, 9 anos depois da Zoe, da filha mais nova, Wren.
Darryl MacPherson é o Pai trabalhador, formado em “letras” e empregado num escritório para onde tem que comutar todos os dias para poder providenciar para toda a família, que é uma família tradicional moradora nos subúrbios. É um Pai carinhoso, que não grita com os filhos e regra geral um tipo às direitas, segundo a sua filha Zoe. É também dono de um nariz incrivelmente grande, pelo que todo o seu prol dá graças a Deus por não terem saído ao seu lado da família.

Os vizinhos Afro-Americanos, Yolanda e Mike, que também têm filhos que acompanham o crescimento dos do casal MacPherson.
Os outros vizinhos, que gozam de um nível superior de vida, Bunny e Butch, onde a mulher, é um tanto ao quanto peculiar: perfeita de figura, embora Mãe de três, tem tempo para tudo e para mais alguma coisa e parece que tudo faz sem esforço, o que irrita as vizinhas, embora não se aperceba disso. Mãe de três: Bogart, o mais velho, e um casal de gémeos idênticos que vestem de igual e que se chamam Wendell John e Wendell Jon (!). O Bogart come pratos rebuscados de fusão e comida intercontinental, porque, segundo a Mãe, “ele é muito exigente”, mas quando é deixado na casa dos MacPherson come “Mac & Cheese” de pacote e pede a receita, com os olhos arregalados de prazer, para dar à sua Mãe.
Os Sogros, pois claro, que têm um catálogo de brinquedos irritantes e barulhentos.
Trent, o amigo terrível do Hammie, também é um figurão.
Sorrisos e gargalhadas garantidas. Para quem ainda não teve a sorte de ser Pai ou Mãe, será sem dúvida um deslumbre do que aí poderá vir, para o bem e para o mal; para quem não quer absolutamente ser Pai ou Mãe, será também um deslumbre na proporção inversa. Mas as gargalhadas estão garantidas.
PS: Ainda “strip-comics”, eu gostaria de ver publicadas as aventuras e desventuras do inigualável “Van Dog”; e vocês? Será que o António Pilar não está interessado?!