quarta-feira, 10 de junho de 2009

GLOBAL FREQUENCY

Você está na Frequência Global. É assim que um qualquer dos 1001 agentes é contactado pela coordenadora de comunicações da organização. A partir deste momento terá que se disponibilizar totalmente para resolver uma situação extrema.

Global Frequency é uma organização secreta e independente dirigida por uma antiga agente de um serviço de inteligência, que dá pelo pseudónimo de Miranda Zero. Os seus elementos abrangem as mais variadas especialidades e não são exclusivos da organização até serem despoletados para uma dada situação de extrema sensibilidade. Os elementos comunicam através de um rede de comunicações exclusiva que é monitorizada e coordenada pelo personagem feminino de nome Aleph.

O propósito de ser da Organização cinge-se à protecção e salvação do Mundo e seus habitantes das eventuais consequências desastrosas dos projectos e operações secretas de um qualquer Governo de um qualquer País do nosso Planeta. Os elementos da Organização são escolhidos e activados com base nas suas especializações, tão variadas e abrangentes como militares, atléticas, académicas nas várias vertentes das ciências, criminosas, etc. As ameaças com as quais os elementos da organização se debatem também são tão variadas quanto as especialidades desses elementos. Ameaças militares, terroristas ou mesmo paranormais são o quotidiano da Organização. Os fundos que sustentam a GF são de proveniência desconhecida, no entanto a sua responsável refere que alguns desses fundos advêm dos países que constituem o G8 na forma de pagamentos para que a GF não divulguem os secretos horrores com que lidam. Embora a existência de uma organização independente com capacidade resposta e reacção deixe as autoridades vigentes bastante nervosas, também é consensual que a GF dispõem das capacidades muito especiais, necessárias e voluntariamente disponíveis para agir onde elas não podem, conseguem ou querem actuar. Como resultado, a GF obtém a aprovação tácita para as suas actividades, onde até, por vezes, são chamados pelos Governos para agirem em situações de crise extraordinárias. No entanto, na maioria das vezes, a GF actua pro-activamente sempre que descobre tais situações extraordinárias.
Criada pelo Warren Ellis em 2002 e publicado pela Wildstorm Productions até 2003, teve a duração de 12 comics; foram publicadas, por sua vez, em dois TPB (“Global Frequency Vol. 1: Planet Ablaze” e “Global Frequency Vol.2: Detonation Radio”). Não será o seu melhor trabalho mas é bastante interessante, tanto no registo da ficção-cientifica como, talvez mais, no formato adoptado. O formato, single issue stand-alone comic book, é interessante pela raridade do mesmo na Industria dos comics, pese o facto que tem vindo a ser cada vez mais utilizado fora das chamadas casas mainstream. O formato permite que um qualquer leitor a qualquer altura possa entrar na história sem ter que ter a bagagem de números anteriores. Assim sendo, os únicos personagens regulares nas acções são a Miranda Zero e a Aleph. Esta estratégia provou ser mais electrizante pelo facto de nunca se chegar realmente a saber se os elementos da GF envolvidos em sanar os problemas conseguem sobreviver à missão (o que, por vezes, não conseguem); no último “episódio” da série reaparecem alguns personagens. Também é interessante realçar que cada história é desenhada por um artista diferente (Garry Leach, Steve Dillon, Chris Sprouse, JJ Muth, Simon Bisley, etc.), ficando os textos sempre ao encargo do Ellis, as cores debaixo da responsabilidade do David Baron e as originais capas à descrição do Brian Wood (ver post DMZ).

Pelo formato ao estilo televisivo de episódios, foi, de facto, tentado o projecto para a televisão. Não vingou, pois o episódio piloto foi descarregado para a internet antes da sua estreia, o que deixou a Warner Brothers bastante aborrecida, ao ponto de cancelarem o projecto. Uma pena.

É uma leitura fácil e fluida, tem histórias bastante bem pensadas, algumas (poucas) são fraquinhas. O nível de acção é elevado. Em termos de desenho é um verdadeiro mimo. Os TPBs trazem um papel “à lá Vertigo”, o que não é bom! A apreciação geral é positiva.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

THE LOSERS


The Losers é um comic que me deixou em pulgas para lhe ver o fim. Já não lia algo assim há algum tempo. Aquele tipo de trama que nos faz ficar agarrados à história até ao fim, sem descansar. São cinco volumes trade editados pela Vertigo, tendo sido publicados em comic em 32 números desde 2003 até 2006. Os volumes tradepaperback têm uma qualidade de impressão excelente, diga-se. Foram-me aconselhados pelo Vasco, da BDMania, o qual tem um excelente gosto em comics e no qual eu confio inteiramente.

Mas vamos recuar um pouquinho (é favor!) no tempo. Dos meus tempos idos, tempos em que me iniciava nos comics com a preciosa ajuda da Ebal, o que eu lia com maior prazer eram as edições que retratavam a II Guerra Mundial. Sendo um leitor assíduo das aventuras da segunda série do Falcão, era natural que tivesse evoluído para outras edições. Aventuras com o Sargento Rock eram as minhas favoritas, outras com o Soldado Desconhecido também figuravam como favoritas, e no final todas as que figuravam nos comics períodicos originais Norte-Americanos na “Our Fighting Forces”, na “All-American Men of War”, “G.I. Combat”, “Star-Sprangled War Stories” e ,claro, “Our Army at War”, que eram reproduzidas pelas edições da Ebal, eram todas bem-vindas e devoradas intensamente. Naturalmente apercebi-me (sem me dar conta!) que havia um Senhor que escrevia e desenhava certas histórias que eu preferia acima de outras: Jack “The King” Kirby. Este rivalizava nos meus gostos com outro bem mais prolífico nestas andanças: Joe Kubert. O Joe Kubert era o mestre por detrás do duro Rock (do qual é co-criador). Já o Kirby, esteve brevemente por detrás de uma série que eu idolatrei: The Losers. É necessário dar os créditos de criação destes heróis/anti-heróis ao seu dono, o grande Robert Kanigher (Sgt.Rock, The Losers, Black Canary, Lady Cop, The Harlequin, entre muitos outros, figuram como suas criações). Pesando o facto que o Kubert também contribuiu para a série, aquelas que eu mais gostava eram de facto as do Kirby. Estes Losers eram tipo uns indomáveis doze patifes à lá comics. Comandados pelo Capitão Storm (Capitão na Armada Norte-Americana) , os outros três participantes neste improvável grupo eram: Johnny Cloud (Navajo), Sarge Clay (um dos mais antigos Marines a servir na Guerra) e o Gunner MacKey (um dos mais novos). Por todos eles partilharem o facto de terem perdido homens e amigos em combate, pelos quais se sentiam responsáveis, apelidavam-se a eles próprios “The Losers”. Combatiam nas condições mais extremas e nos cenários mais difíceis. Eram os meus preferidos. A Ebal não publicou muitas destas aventuras, face ao maior sucesso do Sargento Rock, o qual também se encontrou com estes personagens em algumas aventuras, à semelhança do “Unknown Soldier”. Muito recentemente, qual foi o meu gáudio quando a DC publicou em edição de luxo as seis aventuras dos “The Losers”, pela pena do Kirby. Foi uma maravilhosa surpresa quando a minha esposa, no meu aniversário, entre outras grandes edições de comics, me ofertou este maravilhoso livro.


Quando o Vasco, na minha última ida à BDMania, me sugeriu o “The Losers”, eu disse-lhe que já o tinha. Na conversa percebemos que não estávamos a falar da mesma coisa! Foi aí que eu fui apresentado a este “The Losers” que me trás aqui. Embora possa parecer muito vagamente inspirado no original, este “The Losers” é pelo seu autor (Andy Diggle – já lá iremos) confessado como não terem nada a ver com os originais, uma vez que nunca leu nenhuma das aventuras desses últimos.
Os autores destes “The Losers” são os Britânicos Andy Diggle e Jock (Mark Simpson), os quais podemos ver na foto (da esquerda para a direita: Mike Carey, Andy Diggle e Jock). O Andy é conhecido pelas suas incursões em personagens como Swamp Thing, Adam Strange e Silente Dragon, para além de ter sido um dos editores da famosíssima 2000AD. O Jock também já tem os seus créditos firmados em edições 2000AD, em séries como o spin-off do Judge Dread, Lenny Zero e noutras como Hellblazer, Green Arrow e no mais recente Faker com o Mike Carey.


A história deste “The Losers” centra-se num grupo de Black Ops do exército Norte-Americano que se vêem traídos pela sua contra-parte da CIA na pessoa de um tal Max. Este Max é um ghost criado pela CIA com o objectivo de financiar A Companhia nos seus projectos mais obscuros. Dados como mortos na sequência de uma operação secreta, presumivelmente assassinados pela própria CIA a mando desse tal Max, decidem então criar um plano para se retirarem da lista negra de alvos a abater pela Companhia. Esse plano consiste na obtenção de provas das operações ilegais de financiamento da CIA, como o tráfico de droga, armas e consequente lavagem de dinheiro. Estas provas servirão de arma para chantagear a CIA e obrigá-la a retirá-los dessa suposta lista de alvos a abater na qual se julgam figurar e que os obrigam a uma vida na clandestinidade, impedindo-os de retomar a própria vida.
É uma história complexa, mas muito fluida, cheia de traições, equívocos, acção, estratégia, etc. Muito bem escrita e também muito bem ilustrada, é um exercício nas histórias de espiões e teorias de conspirações. Denota um espírito muito crítico à forma como certos assuntos internacionais conhecidos na realidade poderão ter sido de facto conduzidos. Não abdica, no entanto, de um tom de humor ao longo do enredo, aliado ao cinismo próprio que todas estas histórias já nos habituaram. Ao longo da trama desenrolam-se constantemente dúvidas que nos prendem ao guião e que nos compelem a ler, sem parar, para descortinarmos o fim.
A citação do Director da DEA, que afirma nunca ter tido um grande caso que não culminasse na dúvida ou na certeza da envolvência de uma qualquer Agência secreta faz-nos pensar na eventual podridão dos sistemas que nos governam e à qual o nosso sistema também não será alheio (vejamos o muito mal contado caso Camarate).


De leitura obrigatória para quem uma boa história de conspirações faz as delicias. Para terminar, será adaptado ao cinema muito brevemente.



Brevemente neste blog: Global Frequency por Warren Ellis e uma cambada mais de gente muito virtuosa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

ATÉ SEMPRE.

Hoje este Blog está de luto. Faleceu um grande, enorme, vulto da BD em Portugal: Vasco Granja (10/07/1925 - 04/05/2009).
Hoje tive o prazer de tornar a ouvir o Vasco Granja nas entrevistas do Carlos Vaz Marques na TSF, poderão ouvi-la novamente à noite a partir da 01h00m.

Hoje estamos muito mais pobres e tristes.

Até sempre, amigo Vasco Granja.

terça-feira, 21 de abril de 2009

TEBEOS

Escrever sobre a BD Espanhola seria um trabalho hercúleo, devido à rica história da arte sequencial dos nossos “hermanos”. Como a nossa história (da BD em Portugal) é rica, também a de Espanha o é, atrevendo-me, sem medo, a escrever que é maior que a nossa. Não será de espantar que assim seja, nem que seja pelos números comparativos da população.

Começou, como noutros países, ainda no séc. XIX, especializando-se na sátira política. O primeiro intento foi com “En Caricatura”em 1865, não passando de um acto solitário, não tendo logrado. Há semelhança com o nosso Raphael, foi Apeles Mestres o verdadeiro introdutor do género em Espanha com as suas histórias e crónicas a serem publicadas na Catalunha em revistas como a “Granizada”, já no final do séc. XIX. Mestres foi o impulsionador da arte dos “comics”, arrastando com ele uma plêiade de ilustradores e artistas que viram no género uma forma de se expressarem e, claro, uma forma de vida.
Em 1915, na Catalunha, surge a primeira publicação que se dedicou exclusivamente aos comics: “Dominguín”. Artistas como Apa, Llaverias, Opisso, entre outros, trabalhavam para um público adulto. Estes pioneiros abriram o caminho para Joaquín Buigas Garriga, que adquiriu a revista “TBO” e a transformou ao seu estilo, tendo atingido um sucesso fenomenal. Esta revista notabilizou-se e notabilizou autores como: Donaz, Urda, Rapsomanikis, Opisso, Nit, Francisco Mestre, Sabatés, Serra Masana, Salvador Mestres, Cabrero Arnal, Moreno, Benejam, Coll, Muntañola, Arnalot, Tur, Bernet Toledano e muitos outros mais. Foi a época clássica do "comic" (ou "comix", como preferirem) Espanhol.
A TBO foi de tal forma importante na história do “comic” Espanhol que originou, reconhecido pela Real Academia da Língua Espanhola, a palavra “tebeos”, designação genérica dos “comics” em Espanha.
O sucesso da TBO leva ao aparecimento de outras publicações de menor sucesso, como a “Pulgarcito” e, uma década depois desta, a “Pocholo”(1931), entre outras. A “Pocholo” era um grande semanário e foi a primeira publicação em que os seus artistas começaram a “imitar” o estilo Norte-Americano do cartoon.
Em 1936 a revista “Mickey” faz a sua aparição em Espanha. Revista com uma estética muito própria, extremamente próxima das congéneres Norte-Americanas, contava com um rol de grandes artistas Espanhóis, que se dividiam entre o estilo realista e o humorístico: Cabrero, Moreno, Arnal, R. Rojas, Sabátes, etc.
Também deverei referir-me às publicações da Bruguera: “Calderilla”, “Camaradas”, “La Allegria Infantil”.

Em 1936 começa o período negro da BD Espanhol e, mais importante, da própria Espanha: A Guerra Civil.

Até ao fim da Guerra Civil Espanhola, 1939, não houve, obviamente, qualquer evolução no “comic”. Mesmo depois do final da Guerra e por algum tempo, devido à escassez de matérias-primas, à fome, à perda das liberdades pessoais e à consequente censura militar do regime, culminando com o estalar do conflito Mundial, o “comic” Espanhol ressentiu-se fortemente. No entanto, e contra todas as perspectivas, surgiram nesta altura alguns dos mais reconhecidos autores de “comics” Espanhóis.

Em 1940, emerge “Roberto Alcázar y Pedrín”, um “comic” de muito fraca qualidade que empregaria uma linguagem populista de expressões vulgares que ia muito de encontro à idiossincrasia da Espanha da pós-guerra. Nem os mais optimistas, na época, imaginariam o enorme sucesso que essa publicação alcançaria, tornando-se um fenómeno de vendas no País, chegando a número um nas vendas.

Embora desde 1940 que a “TBO” tenha sido resgatada, sem uma periodicidade certa, só mais tarde logrou em se tornar novamente em referência no panorama dos “comics” ditos clássicos.

Outro fenómeno foi o personagem de aventuras estilo “capa e espada”, "El Guerrero del Antifaz" (1944). Trouxe mais de 20 anos de aventuras de “espadeirada”, resgates de princesas em apuros, duelos e batalhas épicas que fariam sonhar gerações de crianças Espanholas, despertando o maior gosto pelos “comics”. Este personagem introduz o género “continua” nas publicações de “comics”.
Foi tal o sucesso do “El Guerrero del Antifaz”, que se sucederam “copy-cats”. Nenhum esteve à altura do original. A magia do traço de M. Gago contribuiu muito para tal, assim como a riqueza dos textos que acompanharam esse personagem.

“Jaimito” (1945), ao estilo da “TBO”, não vinga ao nível desta última. Dedicada a um público mais infantil, merece, no entanto, referência.

Em 1947, a “Pulgarcito” voltou e foi uma lufada de ar fresco no panorama das publicações “comics”. Transformada por Rafael González, muniu-a de uma força de jovens artistas, no entanto já experimentados, introduziu-lhe esperança e um grito de liberdade, sorrindo assim ao futuro, despregando-se das recentes tragédias da guerra e pós-guerra. Dos seus personagens com maior sucesso destaco “Mortadelo y Filemón”, muito conhecidos entre nós e mesmo entre o público Brasileiro (teve publicação em formato gibi).

Da Editora Bruguera saíram algumas publicações de cariz mais intelectual, adulto, como: “DDT”, “Magos del Lapiz” “Tiovivo” e “Can Can”. Algumas foram o trampolim da chamada “Escola Bruguera”.

No género “temático” surge em 1948 a publicação “Hasañas Bélicas”. Criado por Boixcar, possuidor de um estilo de grafismo minucioso que atraía os leitores, relatava vivências pessoais com a guerra em pano de fundo. A título de curiosidade, foi das únicas publicações conhecidas que fazia com que os soldados Alemães da II Guerra Mundial fossem os “bons da fita”. Obviamente, era agraciada pelo poder militar fascista vigente.

Em 1954, “Diego Valor”, introduz a ficção-cientifica, se bem que de cientifica tinha muito pouco. Com um desenho primário, foi fruto de um bem maquinado marketing.

“El Capitan Trueno”, de 1956, segue os passos do “El Guerrero…”, com bastante sucesso. A certa altura da publicação, quando era bastante apreciado, teve autores e artistas como Víctor Mora, Ambrós, Pardo, Fuentes, etc, os quais contribuíram bastante para o referido apreço.

Há semelhança de Portugal, também Espanha teve revistas de “comics” próprias para o género Feminino. Entre 1940 e 1970 foram várias as publicações, tanto em suplemento como especializadas: “Mis Chicas”; “Azuzena”; “Florita”; “Mary Noticias” e “Lilían Azatafa del Aire” serão as mais importantes.

De referir que, muito há semelhança com o resto do mundo bedéfilo, quase todos estes “monstros sagrados” dos “comics” Espanhóis não sobreviveram até hoje a não ser na memória dos mais antigos. Como nós, em Portugal, nomes grandes da arte sequencial acabaram por desaparecer das publicações (no nosso caso especial, até as publicações desapareceram!) regulares. Uns substituídos por um estilo mais adulto, na transição das idades dos leitores; outros pelo estilo ter caído em desuso, tornando-se ultrapassado pelos gostos das novas gerações. No caso Espanhol, praticamente nenhum ascendeu à condição de Mestre da BD. Casos destes só mesmo na Bélgica e França abundaram. Com a excepção do grande Francisco Ibañez, ainda hoje, depois de mais de cinquenta anos da sua criação, são regularmente publicados: “Mortadelo e Filemón”.

É claro e absoluto que nomes como os de Jesus Blasco, Emílio Freixas, Moreno, Castanys, Puigmiguel, Iranzo, Porto, Hidalgo, Roso, Borne e muitos, muitos outros (até o grande Mestre Português ET Coelho - muito considerado em Espanha e no Mundo, convenhamos - ao ponto de ser incluído na História da BD Espanhola), para além dos já noutros parágrafos atrás referidos, farão sempre parte do panteão dos grandes artistas Espanhóis. Criadores do “Chicos”, “Cuto”, “El Coyote” e “El Campéon”, para além dos já referidos supra não serão esquecidos. A História não os deixará morrer, nem quem gosta de BD se atreverá a tal.

A partir dos anos 70, o “comic” genuinamente Espanhol começa a definhar. Os Editores homologam os seus formatos com os do resto da Europa e perde-se o típico formato 17x24. O “comic” clássico Espanhol, um dos mais importantes da Europa, desaparece e no seu lugar surge o formato Franco-Belga. Não desaparecem os autores e artistas Espanhóis, pelo contrário, surgem novos nomes de grande mestria, a par de outros já existentes, que se afirmarão como estrelas no firmamento da BD Mundial. Nomes, embora Espanhóis, nem todos são de Espanha: Carlos Giménez, Hernandez Palácios, Victor, Chiqui e Ramón de la Fuente, Carrillo, Maroto, Arranz, Brocal, Jan, Bernet, Jodorowski, Quino, Mora, Trillo, Risso, Breccia, (Sanchez Abuli, embora nascido em França, já está radicado em Espanha há tanto tempo, que merece aqui figurar, para além do seu nome ser Espanhol, claro), Font, Ortiz, Prado, Gallardo, Max, Ribera e muitos outros.

Revistas que abundaram em Espanha a partir dos anos 70/80 e que fizeram história na minha geração não podem ser ignoradas: “Totem”, “Bomerang”, “Zona64”, “El Víbora”, “Cimoc”, “Comix”, "Metal Hurlant", "1984", entre outras, fizeram as minhas delícias. Ainda hoje as visito com frequência. Nelas abundavam o que melhor se fazia no mundo da BD Franco-Belga e não só. Os álbuns da “Totem” eram também excepcionais em conteúdo, assim como os da “Norma”, ainda hoje existente.

Ainda hoje a BD é muito forte junto dos nossos vizinhos Espanhóis. Blogs de grande qualidade abundam. Ficam aqui alguns urls desses Blogs que merecem visita, principalmente pela qualidade excepcional dos conteúdos dos mesmos:

http://tebeosparaestranhosestrangeiros.blogspot.com/

http://comic-historietas.blogspot.com/

http://unollodevidro.blogspot.com/

http://comicsenextincion.blogspot.com/

http://coleccionistatebeos.blogspot.com/

Principal fonte para este post: Museu da BD Espanhola, os meus agradecimentos.

sábado, 18 de abril de 2009

UM MERECIDO E AGRADECIDO RECONHECIMENTO

No último post abordei, muito, muito levemente o que o Brasil tem para oferecer na arte sequencial. Foi apenas um arranhar da superfície do enorme, gigantesco, maná que o Brasil tem sido e é. Houve um comentário que referia o meu gosto pelos “quadrinhos” Brasileiros. Curiosamente, aquele foi o único post (Ed Mort) que eu até agora escrevi abordando os “quadrinhos” genuinamente Brasileiros. É certo que poderia inundar este bloguezito com material genuinamente Brasileiro, como também referi num dos meus comentários: “Gosto muito do que é feito no Brasil. Tem lá gente, muita gente, com imenso talento. Depois há estes gigantes, sem ordem especial: Mauricio de Sousa, Luís Fernando Veríssimo, Miguel Paiva, Edgar Vasques, Laerte, Glauco, Fernando Gonsales, Angeli, Ziraldo, Henfil, Mozart Couto, Nilson, Jô Oliveira, Watson Portela, Luís Gê, Lourenço Mutarelli e velhinhos como Armond e Renato Silva, ou mesmo Ângelo Agostini, J. Carlos e Luíz Sá.”. Como se pode ler, teria muito tema por onde escolher, e mais.

As referências que eu usualmente recordo são, quase invariavelmente, Brasileiras. Na década de 70, a par com as ainda abundantes publicações periódicas Portuguesas (Tintin, Spirou, Falcão, Guerra, FBI, Cuto, álbuns Bertrand, etc) havia um marasmo de publicações Brasileiras que cá chegavam (com cerca de seis meses de atraso). Publicações Brasileiras que raras vezes se repetiam com outras publicações Portuguesas (noutro formato), ora por já terem desaparecido, ora estavam prestes a desaparecer (Mundo de Aventuras, Mosquito, Grilo, Camarada, etc). Personagens Norte americanas como “Luluzinha”, “Bolinha”, “Pernalonga”, “Patolino”, “Zé colmeia”, “Faisca e Fumaça” “Frajola e Piu-Piu”, “Satanésio”, “Gaguinho”, “Alceu e Dentinho”, “Os Monstrinhos”, “Crás”, “Heróis da TV”, “Speed Racer”, “Super Mouse”, “Pimentinha”; “Riquinho”, “Brotoeja”, “O Recruta Biruta”, “O Recruta Zero”, “Fantasma”, “Mandrake”, “O Pato Donald”, “Tio Patinhas”, “Mickey”, “Disney Especial”, “Edição Extra”, “Zé Carioca”, “Almanaque Disney”, “Flintstones”, “Os Jetsons”, “Kamandi”, “Sarg. Rock”, “Super-Homem”, “O Homem Elástico”, “O Arqueiro Verde”, “Jornada nas Estrelas”, “Batman”, “Supermino”, “Fix e Fox”, e muitas outras; também, claro, toda a “parafernália” do universo Marvel e DC que atravessou várias décadas e variadíssimas editoras (já entrando nos anos 90 e séc. XXI).

Editoras como a RGE, a Bloch, a Abril, a Ebal, a Cruzeiro, a Vecchi, a Trieste, enchiam os escaparates com imensa oferta de “quadrinhos”. Era uma fartura! Ser-me-ia completamente impossível escrever sobre muitos dos personagens que já abordei sem fazer justa referência às publicações Brasileiras que primeiro nos deram a conhecê-los. No entanto, nenhum é genuinamente Brasileiro. É certo que alguns tinham produção própria no Brasil (MAD, Zero e Estúdio Disney são exemplos), mas a grande maioria eram importações Norte-Americanas de comics da Harvey, King Features, Disney, Marvel, DC, Warner e Hanna & Barbera, destacando-se como nomes mais sonantes.

Os anos 80 trouxeram-nos mais publicações genuinamente Brasileiras, para além das já existentes “Mônica”, “O Sitio do Pica-Pau Amarelo”, “Cacá e sua Turma”, “O Menino Maluquinho”, “Turma do Pererê”, “Os Trapalhões”, “Pelézinho”, “Chico Bento”, “Cebolinha”, etc.: “Chiclete com Banana”, “Circo”, “Geraldão”, “Níquel Náusea”, “Piratas do Tietê” e outras de uma nova vaga de criadores que elevavam o estilo do típico quadrinho em gibi formatinho para revista e introduzindo um novo género de quadrinho, mais mordaz e “sem-vergonha”, virado para um público mais adulto, ou menos infantil, se preferirem.
Portanto, muito teria eu para escolher dentro do “universo” Brasileiro. Vejam bem que apenas rocei o que se passou a partir dos finais dos anos 60. Existe uma história riquíssima dos quadrinhos Brasileiros anterior a essa década.

Ainda hoje, pese as constantes crises que o Brasil atravessou e atravessa, existem dezenas de publicações periódicas e não periódicas. Infelizmente, Portugal tem vindo a perder, de década para década, de ano para ano, o caminho desbravado desde o início do séc. XX pelos nossos grandes antepassados bedéfilos. Esta tem sido a pior década de sempre na história da BD em Portugal (referindo-me à oferta nos escaparates e livrarias). Nem as edições Brasileiras nos salvam, pois deixaram de cá chegar na variedade que se apresentam no Brasil. Voltam-se as novas gerações, cada vez mais, para as importações Norte-Americanas (devido ao aumento da aprendizagem na língua Inglesa).


*(na imagem de abertura, "A seleção dos quadrinhos brasileiros", em pé, a partir da esquerda: Mônica, Rê Bordosa, Capitão Ninja, Radical Chic, Pererê e Quebra-Queixo. Agachados: Níquel Náusea, Menino Maluquinho, Capitão Rapadura, Senninha e Pirata do Tietê.).
Agradecimentos especiais: Ivo Manuel (Grande Coleccionador Português de Gibis, referenciado no Brasil, que tem vindo a desenvolver um excelente e maravilhoso trabalho na publicação das capas de inúmeras colecções por personagens e Editoras). Universo HQ, pela gentil cedência da imagem de abertura. Todos os que contribuiram com as imagens aqui colocadas, as quais, obviamente, não têm fins lucrativos e servem meramente como informação e divulgação do quadrinho Brasileiro.
Brevemente: Arte sequencial em língua Espanhola (outro maná).