quarta-feira, 2 de setembro de 2009

LEITURAS ESTIVAIS



Foram umas belas férias…são sempre belas, mesmo quando não são melhores que as anteriores. Não apanhei nenhuma daquelas à antiga, como os nossos conhecidos mutantes na capa deste comic dos anos 80, que pertence a uma das mais estranhas edições da Marvel onde os mais conhecidos heróis eram caricaturizados, debochados, arrastados pela lama, etc. (farei um post sobre esta fantástica e inesquecível série que maravilhou e irritou fãs por todo o mundo). Mas as minhas férias foram especiais, à semelhança das do ano passado: o meu rebento desabrochou e começou a falar, a brincadeira abunda, é um nadador inato, e todos os dias são uma novidade.

Dito isto, que interessará muito pouco ou mesmo nada a todos que lêem este blog (isto é que é presunção da minha parte: pensar que alguém ainda lê isto!), nas próximas linhas farei um apanhado das minhas leituras de Verão. Aproveitei para reler alguns livros que já estavam enevoados na minha memória e levei uma catrapiscada de outros que ainda estavam por ler, apesar de alguns estarem na estante há muito tempo.

Comecei as minhas leituras pelo “The Stand – Captain Trips”. Já sabia da existência desta novela da autoria do Stephen King, mas nunca a tinha lido. Aproveitei o facto do famoso autor ser um fervoroso fã de comics e ter autorizado e supervisionado neste formato esta sua novela. Por ser um fã do seu trabalho e já ter lido algumas entrevistas suas (em particular uma, creio na revista Fangória, há uns anos valentes), foi com pouca surpresa que fiquei a saber que ele gostaria de ver os seus títulos adaptados aos comics. Por convite da Marvel, o autor começou por supervisionar uma prequela da série “Dark Tower”, até agora com três títulos já disponíveis no mercado, escritos por Peter David e ilustrados por Jae Lee e Richard Isanov. O sucesso desta série abriu portas para outra adaptação: “The Stand” é uma adaptação da novela publicada pela primeira vez em 1978 (actualizada em 1990). Não podia ser mais actual, de facto. É uma série do género Apocalíptico onde o principal vilão aparenta ser um vírus da gripe manipulado pelos militares, com o nome de código “Project Blue” e que se torna popularmente conhecido por “Captain Trips”. Este primeiro número, de cinco hardcovers, tem exactamente o título “Captain Trips” e descreve os primeiros dias após o desencadear da pandemia, provocado por uma fuga de um militar das instalações onde o vírus era desenvolvido. É escrito pelo Roberto Aguirre-Sacasa e ilustrado pelo Mike Perkins, dupla que funciona muito bem. Gostei bastante de ler este primeiro número e, devido ao actual cenário de gripe H1N1, consegue aumentar o seu efeito de horror/terror pretendido. Foi uma coincidência esta situação e não um aproveitamento descarado do H1N1 (talvez do H5N1!), pois este primeiro volume foi editado em Setembro de 2008. De qualquer forma, a devastação provocada pelo “Captain Trips” (99,5% da população Mundial é infectada e morre) envergonha (e ainda bem) o real H1N1. O segundo volume tarda, mas para quem não quer ler o original ou esta adaptação para comics, sempre pode ver a série televisionada de 1994, com o Gary Sinise como protagonista. Talvez na senda da grande escritora Mary Shelley com a sua novela profética e aterradora “The Last Man” (que já neste blog foi abordada em “Y: The Last Man” - Brian K. Vaughan e Pia Guerra) esteja outra visão associada do armagedão da humanidade.


Depois deste começo passei para o último livro do Ben Templesmith. “Welcome to Hoxford” (sim, com “H”) é uma paródia, muito ao jeito do autor, à licantropia e ao sistema prisional Norte-Americano que nos últimos tempos tem vindo a interditar (leia-se censurar) os seus livros. A história é simples e retorcida, assim como os seus personagens: desde violadores, pedófilos, necrófagos a canibais, temos de tudo! A licantropia é abordada ao estilo vampiresco, o que não é nada original, mas sempre um pouco diferente do que é costumeiro. A arte, essa é irrepreensível. O enredo, sem spoilers, resume-se a uma instituição privada que recebe os piores e mais hediondos perpetradores dos mais condenáveis crimes na sociedade e reserva-lhes, secretamente (claro!), um destino que não o combinado com as autoridades, que se estão a borrifar, diga-se. Pelo meio, um fantástico personagem que faria o Hannibal Lecter parecer um betinho, uma psiquiatra que devia era ter juízo, um bando de tipos que não fossem os seus crimes seriam patéticos e, para acompanhar, uma matilha de avantajados Lobisomens. Enfim…a arte é irrepreensível.

Adivinhando que necessitaria de algo que me deixasse garantidamente satisfeito, muni-me com vários títulos do Warren Ellis, esse Deus escriba dos comics (Conforme muitos o apelidam. Será exagero?). Então, coloquei no saco: “Orbiter”, “Ocean”, “Crecy” e “Ministry of Space”.
“Ocean” para mim é o melhor, e por isso vou começar por este. Embora os mais fanáticos digam que seria digno de uma adaptação cinematográfica de grande orçamento, eu não vou tão longe: provavelmente um episódio de uma série ao estilo “Limiares da Realidade” (por exemplo). Todos eles seriam de boa adaptação televisiva. “Crecy”, por razões óbvias já teve inúmeras adaptações, pois trata-se da batalha considerada como a maior vitória Inglesa na sua História bélica (a tal com um gostinho especial, hehehe). O “Ministry of Space” mereceria, esse sim, um filme de grande orçamento ou uma série com 10 episódios, embora este seja, paradoxalmente, o que tem menos páginas.
De qualquer forma, Ocean foi o que despertou maior curiosidade no enredo e que conseguiu criar os melhores e mais tridimensionais personagens possíveis em tão poucas páginas. A arte de Chris Sprouse e as cores de Karl Story convencem, sem deslumbrar. O enredo, esse sim, deslumbra e vislumbra. Num futuro não muito distante, um inspector especial embarca num estranho veículo enquanto lê um livro (objecto praticamente extinto na produção) sobre as primeiras conquistas espaciais da segunda metade do séc. XX, comentando com admiração e incredulidade os feitos com os desconhecidos que com ele viajam. O seu trabalho levá-lo-á ao grande planeta gasoso do nosso sistema, a uma remota estação orbital científica que tem por função monitorar e estudar um dos seus planetas satélites. Uma espantosa descoberta foi feita e existe perigo de apropriação para fins menos católicos. O fim é de certa maneira um tanto ou quanto forçado, mas se o autor tomasse outro rumo provavelmente teria ganho vida própria para se tornar numa série de grandes dimensões. Pena é que não o tenha feito.

“Ministry of Space”, aqui está um livro que me dividiu. A arte é fenomenal, basta referir o nome de Chris Weston para estar tudo dito. As cores de Laura DePuy são de grande mais-valia. O enredo também é bom, mas com reservas. Logo após a 2ª Guerra Mundial, com a preciosa e indissociável ajuda dos cientistas Alemães “resgatados”, os Norte-Americanos e os Soviéticos empreenderam a conquista do espaço, como é sabido. O Warren Ellis reinventou a aventura, desta feita empreendida pelos Britânicos e pelos sonhos da velha Albion Imperialista e irredutível. Parece-me um tanto ou quanto presunçoso. Mas, porque não? O homem é Inglês, é o autor, por isso pode fazer e imaginar o que quiser. A comparação ao Dan Dare é impossível de desconsiderar e o próprio autor faz questão em referi-la como forte fonte de inspiração. É contada em tom de memórias, contém óbvias provocações e no final faz cair por terra o sonho com uma revelação tida como bombástica mas afinal muito fraquinha de previsível. O autor, que persegue a hegemonia Britânica durante toda a sua novela, termina com desconsolo e desilusão o inspirado sonho.

Orbiter é uma novela gráfica sobre as viagens espaciais, em especial um mistério que retorna ao planeta Terra na forma de um Space Shuttle que se julgava perdido. Começou muito bem, o desenho é bom, mas depois descamba e termina de uma maneira tipo Deus Ex-Machina, o que das duas uma: ou perdeu o fio à meada, ou não esteve para se cansar com um fim à altura. Embora eu tenha o Warren Ellis na maior consideração enquanto escritor que é, por vezes (e não são poucas) presenteia-nos com coisas destas. Se eu tivesse um tomate maduro à mão o Jogral tinha levado com um!


Terminado este, encetei numa viagem com o puritano imaginado por Robert E. Howard, Solomon Kane. O título “Solomon Kane, volume 1: The Castle of the Devil”, escrito por Scott Allie e com arte do Mario Guevara com o Dave Stewart, é fraquinho. Chegando a um dos reinos que constituem a actual Alemanha, faz-se companheiro de um personagem alegre e bonacheirão mas, no fundo, pilantra. Um barão amaldiçoado, uma esposa das arábias e demónios…sempre, claro. Não gostei da adaptação, talvez por ter lido o conto original que nos deixa mais envolvido no tenebroso mistério. Estou à espera que chegue o Solomon Kane escrito pelo Roy Thomas, este ir-me-á fazer apagar a má memória do anterior, sem dúvidas, e reavivar outras memórias, pois este último são reedições a preto e branco no mesmo formato das reedições da Espada Selvagem; o papel espera-se fraquinho, tipo jornal com forte cheiro a tinta…há quem goste!


“Waltz with Bashir”, ainda não vi o filme mas em BD é fenomenal, porque parece mesmo que estamos a ver um filme de animação, devido ao estilo de impressão utilizado, entre o “gloss” e o “mat”, assemelhando-se a película. As colagens estão igualmente fantásticas. A história centra-se num homem que persegue a sua memória, ou a falta dela. Tendo tomado parte na primeira guerra entre Israel e o Líbano, não se recorda do seu maior e mais aterrador acontecimento: o massacre dos Palestinianos em Beirute em 1982. Depois de uma conversa com um amigo que é assolado por pesadelos, percebe que apenas tem memórias muito vagas sobre esses tempos. Começa então a tentar lembrar-se recorrendo às memórias de outros camaradas de armas e também à ajuda médica. É mais um caso de síndrome pós-traumático, de quem se viu incluído num conflito que passe onde se passar e com quem for, deixa sequelas inultrapassáveis. É um recordar de uma guerra, com um certo mas curto distanciamento, que abre velhas feridas e alerta para os horrores momentâneos e duradouros de qualquer conflito.

Outro livro com o qual me distraí nestas férias foi com a introdução à “War of Kings” da Marvel. Optei pelo Tradepaperback (TPB) por não querer esperar por uma eventual edição Hardcover. “Road to War of Kings” abre uma nova saga, que vai buscar recentes acontecimentos no universo Marvel. Desde os destinos de Havok e Polaris, da anterior Majestrix, Lilandra Neramani, e dos Starjammers ao do actual Imperador do imenso e poderoso império Shi’ar, Vulcan. O que desencadeia esta “War of Kings” é a revolta, levantamento (embora eu prefiro o termo em Inglês: Upraising) dos poderosíssimos Inhumans. Criados pelos Kree para serem uma poderosa arma, cansados de serem acossados quer pelos Humanos, quer pelos seus criadores, quer por outra qualquer espécie alienígena (em especial pelos últimos acontecimentos narrados na saga “Secret Invasion” onde os Skrull tiveram o papel principal), o Rei dos Inhumans, Black Bolt, com toda a sua família (incluindo o seu genial e insano irmão) e súbditos pegam em armas e bagagens e abandonam a Lua (último repouso da sua magnífica cidade refugio, Attilan) e decidem uma incursão ao Império Kree, dizimando pelo caminho todos os que encontram: o remanescente em fuga da frota Skrull, patrulhas Shi’ar e claro Krees. É verdade! Aqui se vai ver os Inhumans como nunca foram vistos: a dar porradinha que até dói! Também já chegava de os ver a levar de todo lado e sempre a quererem ser os (des)equilibrados pacifistas cristãos que davam a outra face constantemente! Os últimos acontecimentos foram a gota de água: o ataque ao seu último reduto na Lua por Marines Norte-Americanos (no seguimento do roubo dos cristais de terragénese pelo Quicksilver) e, claro, do plano Skrull para a invasão da Terra. A guerra dos Reis adensa-se com a expansão desenfreada do império Shi’ar, derivada de um enfraquecimento geral de todos os reinos, impérios, guildas, repúblicas, etc., provocado pelo mega acontecimento Annihilation. Portanto, para quem delirou com a fantástica Annihilation e Annihilation Conquest, vai poder continuar a delirar com essa parte remota do Universo. Títulos como “Guardians of the Galaxy”, “Nova”, “Darkhawk” e outros farão parte desta nova aventura que culmina os títulos “Annihilation” e “A. Conquest”, “Uncanny X-Men/ X-Men: Deadly Genesis/ Rise and Fall of the Shi’ar Empire/ Emperor Vulcan”, “Secret Invasion: Inhumans” e outros.
Possas… nunca é fácil escrever sobre estas sagas da Marvel, tamanha e longínquas são as suas ligações. Não foi fácil, tive que pegar em alguns dos livros que aqui refiro para fazer um pequeno apanhado, sem spoillers (de maior).


Noutras leituras, continuei a ler a colecção B.P.R.D., com o décimo título TPB publicado, “ The Warning”. Não há muito a acrescentar ao número anterior: continua a busca pelo líder transformado em monstro; a Liz continua a ter as visões perturbadoras e desvenda-se um pouco do mistério sobre a identidade do personagem que visita Liz nos seus sonhos, cada vez mais reais. Basicamente, é uma série de sólidos créditos firmados, que conseguiu afastar-se do personagem que a lançou: Hellboy. Pessoalmente, acredito que deverá libertar-se deste ciclo onde se encontra o mais brevemente possível, pois arrisca-se a arrastar e a perder esses créditos tão brilhantemente ganhos e merecidos. Acredito que exista uma meta preestabelecida pelo autor, que sempre se demonstrou coerente. Aqui está uma pergunta para lhe colocar em Beja, no próximo ano.

Nestas férias outros livros houve, uns por acreditar que não mereçam mais do que uma referência, outros que vou guardar para outro post. Os que mereceram apenas uma referência, não será por serem fracos, mas mais por não se destacarem dentro das obras dos seus respectivos autores, ou na cronologia e história que seguem. “Red”, um “old school” do Ellis (imagem à direita); “New Avengers: vol. X”; “X-Factor: vol. I”; “Iron Man: vol. II” são alguns. Os outros que guardo para outros posts são: “Freakangels: vol.II”; “Seven Brothers”; “Mouse Guard: Fall, 1152” (estou à espera do “Winter 1152” – vol.II); “Dark Avengers” (pela curiosidade que possa eventualmente suscitar); “Foxtrot: Wrapped” (por trazer as últimas tiras diárias; daqui para a frente o autor só fará as tiras dominicais).Foram umas férias ricas em leitura. Agora aguardo o mês de Outubro e pelo lançamento de vários Absoluts e Omnibus que irão enriquecer ainda mais as prateleiras, ao contrário de mim.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O ESTIGMA DOS COMICS

Este é um post de indignação. Não é a primeira vez, nem será com certeza a última, que alguém ao saber do meu gosto por BD (Banda-Desenhada) e por Comics acaba por escarnecer destes últimos (ou mesmo dos dois!). Usualmente ficam-se por maldizer os Comics. A justificação acaba por ser sempre a mesma: “Não gosto de super-heróis”. O que eu acabo sempre por entender é que essas pessoas percebem absolutamente quase nada de Comics. É perfeitamente aceitável, veja-se, ninguém precisa de saber o que são os Comics para bem da sua cultura, trabalho, vida social (por vezes é melhor nem saberem, em prol da sua vida social), sobrevivência, etc. No entanto, a ignorância nunca foi uma coisa bonita quando se teima em continuar a viver debaixo dela e quando confrontados com uma visão mais esclarecedora que poderia quebrar o preconceito. É, de facto, a teimosia no preconceito que me fere.

- Não gosto de super-heróis.

- Mas os Comics não são só super-heróis. Se te deres ao trabalho de leres alguns dos posts que eu publico no meu bloguezito verás que muito poucos são sobre super-heróis, e mesmo esses são sobre super-heróis muito pouco convencionais, poderá dizer-se que são sobre “anti-super-heróis”.

- AH! Tudo bem, mas eu não gosto de Comics.

- E gostas de BD?

- Alguma. Gosto de Corto Maltese e do Bilal.

A conversa fica quase sempre por aqui. Mais pela vergonha que essas pessoas têm em falar de BD em público (não vão ser conectados com algo que é aparentemente visto como leitura para putos).

Devo acrescentar, antes de continuar, que aceito sem qualquer tipo de problema que haja pessoas que pura e simplesmente não gostem de arte sequencial (chamem-lhe BD, Fumetti, Gibis, Mangá ou Comics). Gostos não se discutem, lá diz o povo. Não é minha intenção assumir qualquer papel de missionário para andar a converter quem quer que seja, por maior que seja a minha paixão. Também compreendo que muitas pessoas associem os “Super-Heróis” aos Comics. É natural que assim seja. A Industria dos Comics está conectada aos personagens que lhe deu força e notoriedade Mundial: Os “Super-Heróis”. Mas, Super-Heróis é igual a Comics? Não, não é. Ou, pelo menos, NÃO É SÓ igual a isso.

As pessoas que melhor me conhecem sabem que eu (já) não sou nenhum puto e que até tenho alguma cultura que me permite falar de inúmeros temas, tão díspares como a literatura (sem serem Comics ou BD, pois também são literatura…por muito que não concordem), religião, física, biologia, astronomia, astrologia, política (ao estilo taxista e mesmo na vertente da ciência política propriamente dita), história, música, etc. Não sou nenhum erudito em qualquer um dos temas, é certo. Estou sempre pronto a aprender ao ponto de reconhecer que nem sempre o que eu penso está de facto correcto, sejam factos, sejam pré-concepções de gostos (às quais também não estou isento). Afinal só necessitava que alguém as explicasse de forma mais esclarecedora para que eu pudesse alterar a forma como as via e sentia. Apesar de eu ter uma natureza teimosa, lembro-me que a tenho e tento contrariá-la para não ser um mentecapto e, pior, acéfalo. Por vezes é difícil contrariar tal natureza, confesso.

Os Comics, caríssimos(as) amigos(as), não são apenas sobre tipos vestidos com licra e capinhas esvoaçantes. Entendam que eu também gosto deste género. Cresci com eles e no fundo, no seu tempo, até gostava de ser como eles: tipo mutante como o Wolverine, ou um génio multimilionário como o Tony Stark (Iron-Man). Mas acabei por crescer e fazer-me um homenzinho. Aliás, os Comics também acabaram por crescer.

Na vertente “Super-Heróis” dos Comics e desde os tempos do Superman (1932) e do Batman (1939) terem pela primeira vez aparecido muitas coisas mudaram. A primeira grande mudança deu-se no início dos anos 60 do séc. XX, com o aparecimento do Spider-Man (Criado pelo Stan Lee e pelo Steve Ditko - 1962). Este super-herói introduziu o factor humanista nos habituais personagens heróicos com capacidades sobre-humanas, pelo aproximar do público-alvo (jovens) ao personagem: é jovem, classe média-baixa, anda no liceu, é vítima de bulliyng, é inteligente e sonhador e torna-se um combatente das injustiças devido a um muito improvável, convenhamos, inverosímil acontecimento, enaltecendo, enobrecendo, o facto que “com grandes poderes, grandes responsabilidades”.

Em 1963, o Stan “The Man” Lee com o Jack “The King” Kirby criou uma equipa que também abalou os alicerces dos Comics: X-Men. Estes sujeitos nasciam com um gene que “acordava” com a chegada da puberdade e se manifestava em casos de grande ansiedade e ou desespero. Cá está, os putos sonhavam (secretamente) em se tornarem um mutante qualquer e libertarem-se do jugo de quem quer que fosse que os restringisse e ou subjugasse.

Aquele pré-requisito de se ser alienígena, ou treinar artes-marciais que nem um louco e ter medo de morcegos, deixou de ser essencial para atingir o factor “Super”. No fundo, a leitura dessas aventuras em formato Comics era um escape do dia-a-dia; uma novela das 21horas para putos iberbes.
O sucesso estrondoso que esta receita trouxe ao mundo dos Comics fez (e faz) a delícia da garotada e, porque não, das casas que as publicam, nomeadamente a Marvel e a DC a liderarem destacadamente o mercado multimilionário.

Mas a garotada cresceu e a mina de ouro não podia acabar ali, naquela idade público-alvo. Os próprios escritores/argumentistas e os artistas/ilustradores também ansiavam por criar coisas diferentes, ou recriar estilos mais antigos de Comics, estilos que antecediam o género “super-heróis” e que foram de grande sucesso. Estilos como o Policial Noir, o Hard-Boiled, o Terror e o Fantástico, a Guerra (com os seus heróis e anti-heróis, por sinal, muito humanos), a comédia satírica, o erotismo, a capa e espada, a espada e fantasia, etc. Foram muito mais abundantes nos Comics os géneros que não os dos Super-Heróis durante bastante tempo.
A própria arte dita Pop começou a colar-se ao processo, sendo o caso do Roy Lichtenstein um caso de renome e também um caso controverso, pois foi acusado de plágio descarado de Comics (comparem as imagens em cima do quadro do Roy L. ao centro com as pranchas muito mais antigas do Russ Heath); eu prefiro pensar que antes foi um elogio aos comics e ao papel destes na Pop Art. Mas os Comics continuam a ser um parente pobre da Arte e da Literatura. Felizmente este estigma está a ser bastante contrariado.

No final dos anos 80, mas principalmente durante os anos 90 surgiram publicações que derivavam das duas grandes casas de Comics Norte-Americanas. Estas duas grandes casas passaram a se designar por Mainstream, por continuarem debaixo das suas chancelas os principais títulos lhes deram notoriedade. Na Marvel: Spider-Man, Uncanny X-Men, Avengers, Fantastic Four e muitas dezenas mais. Na DC: Detective Comics, Batman, Superman, Justice League, Wonder Woman, e muitas dezenas mais. As novas chancelas que derivaram das casas mães, que se designam por Imprints, dedicam-se a géneros de Comics mais literários e onde a arte é muito mais expressiva, normalmente destinadas a um público-alvo mais adulto. Não escrevo mais exigente, pois o público do mainstream é extremamente exigente (cronologia, direcção artística, fidelidade aos personagens e seus títulos, etc).

Com imprints como a Epic, MC2 e MAX pela Marvel; ou Helix, Vertigo, DC Focus, Elsworlds e Cliffhanger pela DC, ou mesmo a Amalgam das duas em conjunto, abriu-se um novo mundo de oportunidades. Algumas destas continuavam a dedicar-se ao universo de super-heróis, mas outras aproveitaram o distanciamento e dedicaram-se exclusivamente (ou quase) a géneros “super-heróis não entram”. Prendia-se também a oportunidade e vontade que muitos dos talentosos artistas e argumentistas tinham em deterem eles próprios os direitos sobre o seu trabalho, o que os títulos mainstream não possibilitam.

A imprint VERTIGO, da DC, é um estrondoso sucesso nesse género e na criação das supra mencionadas oportunidades, com títulos de incrível qualidade que atingiram a crítica literária de tal maneira que alguns livros (leia-se comics) foram colocados no top 100 das melhores obras literárias do séc. XX publicada pelo New York Times. "Watchmen", escrito pelo Alan Moore e desenhado pelo Dave Gibbons, publicado no final dos anos 80 pela DC é o exemplo mais flagrante do reconhecimento literário ao género Comics. Embora seja um Comic de “super-heróis”, foi com este livro que se começou a desconstruir a faceta de incólumes dos mesmos. É, basicamente, um requiem aos Super-Heróis como eram conhecidos e percepcionados até então.
A VERTIGO editou (e reedita) em formato Comic Book, Tradepaperback e Hardcover, títulos como: “V for Vendetta” (Alan Moore e David Lloyd); “Sandman”, “Death” (Neil Gaiman); “Lucifer” (Mike Carey); “Fables” (Bill Willingham); “DMZ” (Brian Wood); “Losers” (Andy Diggle); “Y: The Last Man”, “Pride of Baghdad”(Brian K. Vaughan); “Transmetropolitan”, “Orbiter” (Warren Ellis – um dos meus favoritos), “Scalped” (Jason Aaron), “American Virgin” (Steven T. Seagle), “100 Bullets” (Brian Azzarello); Hellblazer (vários); sobre alguns dos quais podem ler os posts que neste bloguezito foram colocados.

A IDW publica autores como Garth Ennis, Ben Templesmith. A WILDSTORM é representada por autores como Brian K. Vaughan e Warren Ellis ("Atmospherics", "Ocean"). Na Dark Horse são às dezenas os nomes sonantes de autores que escapam ao género “Super-Heróis”. A Image, com autores como, aqui também, Warren Ellis: "Ministry of Space". Já que gosto tanto de ler Warren Ellis, porque não também a Avattar Press, com títulos como "Freak Angels", ou "Crecy" na linha Apparat. Existem mais.

Títulos que abordam: o misticismo, recriando a criação de acordo com as diversas visões religiosas; elaboradas teorias da conspiração; Mundos distópicos; Mafiosos; Policias; Guerra Civil; Sociedade; Romance; Paranormal; Ficção-Cientifica; História; Terror; etc. Sem um único “Super-Herói” vestido de licra e capinha esvoaçante!

Claro que o mainstream é, talvez, o mais prestigiado e que faz realmente vencer um qualquer autor e artista na “gazilionária” Industria dos Comics. O convite para escrever um ciclo dos X-Men, do Wolverine ou do Spider-Man é absolutamente irrecusável.

Refira-se que o conjunto do autor/argumentista e do artista/ilustrador/co-autor é que faz a qualidade de um qualquer título. Mas, admite-se, que o autor/argumentista é o elo mais forte no sucesso desse título.

Eu ainda acompanho alguns títulos mainstream (com super-heróis); alguns para não “partir” a colecção (que já é considerável e bastante valiosa por alguns títulos), outros por continuar a gostar de os ler, pura e simplesmente.

Mesmo estes títulos mainstream evoluíram bastante. Os motivos são mais complexos, os personagens são bem mais tridimensionais, a influência política e mesmo geopolítica é uma constante, os diferentes aspectos e conflitualidades da actual sociedade são espelhadas nos intrincados argumentos, etc. Não se resume ao tipo que é “bom” a dar porrada no tipo que é “mau”. A divisão ou luta entre o “bem” e o “mal” não é tão linear, as questões morais diluem-se e são deixadas, muitas vezes, ao critério do leitor. Mas sim, continuam a serem tipos e tipas vestidos de licra, com máscara (ou não) e capinha esvoaçante.Para quem teima em associar Comics apenas a super-heróis, se se deram ao trabalho de ler este post talvez consigam agora ter uma visão mais abrangente. Eu não aprecio em especial o Expressionismo (tirando raras excepções), mas não posso dizer que não gosto de Pintura apenas por isso. Não aprecio certo tipo de Romance literário e não posso dizer que não gosto de ler. Não gosto de Jornais sensacionalistas, mas leio Jornais. Por tal, “não gosto de ler histórias com super-heróis, mas gosto de histórias whatever” é perfeitamente comum. Para quem não gosta de arte sequencial pura e simplesmente: Temos pena! Ninguém é perfeito :-)
Em suma: Comics é uma expressão de origem Inglesa que pode ter a tradução infeliz de "cómicos" e que designa as bandas desenhadas produzidas nos Estados Unidos da América.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

GLOBAL FREQUENCY

Você está na Frequência Global. É assim que um qualquer dos 1001 agentes é contactado pela coordenadora de comunicações da organização. A partir deste momento terá que se disponibilizar totalmente para resolver uma situação extrema.

Global Frequency é uma organização secreta e independente dirigida por uma antiga agente de um serviço de inteligência, que dá pelo pseudónimo de Miranda Zero. Os seus elementos abrangem as mais variadas especialidades e não são exclusivos da organização até serem despoletados para uma dada situação de extrema sensibilidade. Os elementos comunicam através de um rede de comunicações exclusiva que é monitorizada e coordenada pelo personagem feminino de nome Aleph.

O propósito de ser da Organização cinge-se à protecção e salvação do Mundo e seus habitantes das eventuais consequências desastrosas dos projectos e operações secretas de um qualquer Governo de um qualquer País do nosso Planeta. Os elementos da Organização são escolhidos e activados com base nas suas especializações, tão variadas e abrangentes como militares, atléticas, académicas nas várias vertentes das ciências, criminosas, etc. As ameaças com as quais os elementos da organização se debatem também são tão variadas quanto as especialidades desses elementos. Ameaças militares, terroristas ou mesmo paranormais são o quotidiano da Organização. Os fundos que sustentam a GF são de proveniência desconhecida, no entanto a sua responsável refere que alguns desses fundos advêm dos países que constituem o G8 na forma de pagamentos para que a GF não divulguem os secretos horrores com que lidam. Embora a existência de uma organização independente com capacidade resposta e reacção deixe as autoridades vigentes bastante nervosas, também é consensual que a GF dispõem das capacidades muito especiais, necessárias e voluntariamente disponíveis para agir onde elas não podem, conseguem ou querem actuar. Como resultado, a GF obtém a aprovação tácita para as suas actividades, onde até, por vezes, são chamados pelos Governos para agirem em situações de crise extraordinárias. No entanto, na maioria das vezes, a GF actua pro-activamente sempre que descobre tais situações extraordinárias.
Criada pelo Warren Ellis em 2002 e publicado pela Wildstorm Productions até 2003, teve a duração de 12 comics; foram publicadas, por sua vez, em dois TPB (“Global Frequency Vol. 1: Planet Ablaze” e “Global Frequency Vol.2: Detonation Radio”). Não será o seu melhor trabalho mas é bastante interessante, tanto no registo da ficção-cientifica como, talvez mais, no formato adoptado. O formato, single issue stand-alone comic book, é interessante pela raridade do mesmo na Industria dos comics, pese o facto que tem vindo a ser cada vez mais utilizado fora das chamadas casas mainstream. O formato permite que um qualquer leitor a qualquer altura possa entrar na história sem ter que ter a bagagem de números anteriores. Assim sendo, os únicos personagens regulares nas acções são a Miranda Zero e a Aleph. Esta estratégia provou ser mais electrizante pelo facto de nunca se chegar realmente a saber se os elementos da GF envolvidos em sanar os problemas conseguem sobreviver à missão (o que, por vezes, não conseguem); no último “episódio” da série reaparecem alguns personagens. Também é interessante realçar que cada história é desenhada por um artista diferente (Garry Leach, Steve Dillon, Chris Sprouse, JJ Muth, Simon Bisley, etc.), ficando os textos sempre ao encargo do Ellis, as cores debaixo da responsabilidade do David Baron e as originais capas à descrição do Brian Wood (ver post DMZ).

Pelo formato ao estilo televisivo de episódios, foi, de facto, tentado o projecto para a televisão. Não vingou, pois o episódio piloto foi descarregado para a internet antes da sua estreia, o que deixou a Warner Brothers bastante aborrecida, ao ponto de cancelarem o projecto. Uma pena.

É uma leitura fácil e fluida, tem histórias bastante bem pensadas, algumas (poucas) são fraquinhas. O nível de acção é elevado. Em termos de desenho é um verdadeiro mimo. Os TPBs trazem um papel “à lá Vertigo”, o que não é bom! A apreciação geral é positiva.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

THE LOSERS


The Losers é um comic que me deixou em pulgas para lhe ver o fim. Já não lia algo assim há algum tempo. Aquele tipo de trama que nos faz ficar agarrados à história até ao fim, sem descansar. São cinco volumes trade editados pela Vertigo, tendo sido publicados em comic em 32 números desde 2003 até 2006. Os volumes tradepaperback têm uma qualidade de impressão excelente, diga-se. Foram-me aconselhados pelo Vasco, da BDMania, o qual tem um excelente gosto em comics e no qual eu confio inteiramente.

Mas vamos recuar um pouquinho (é favor!) no tempo. Dos meus tempos idos, tempos em que me iniciava nos comics com a preciosa ajuda da Ebal, o que eu lia com maior prazer eram as edições que retratavam a II Guerra Mundial. Sendo um leitor assíduo das aventuras da segunda série do Falcão, era natural que tivesse evoluído para outras edições. Aventuras com o Sargento Rock eram as minhas favoritas, outras com o Soldado Desconhecido também figuravam como favoritas, e no final todas as que figuravam nos comics períodicos originais Norte-Americanos na “Our Fighting Forces”, na “All-American Men of War”, “G.I. Combat”, “Star-Sprangled War Stories” e ,claro, “Our Army at War”, que eram reproduzidas pelas edições da Ebal, eram todas bem-vindas e devoradas intensamente. Naturalmente apercebi-me (sem me dar conta!) que havia um Senhor que escrevia e desenhava certas histórias que eu preferia acima de outras: Jack “The King” Kirby. Este rivalizava nos meus gostos com outro bem mais prolífico nestas andanças: Joe Kubert. O Joe Kubert era o mestre por detrás do duro Rock (do qual é co-criador). Já o Kirby, esteve brevemente por detrás de uma série que eu idolatrei: The Losers. É necessário dar os créditos de criação destes heróis/anti-heróis ao seu dono, o grande Robert Kanigher (Sgt.Rock, The Losers, Black Canary, Lady Cop, The Harlequin, entre muitos outros, figuram como suas criações). Pesando o facto que o Kubert também contribuiu para a série, aquelas que eu mais gostava eram de facto as do Kirby. Estes Losers eram tipo uns indomáveis doze patifes à lá comics. Comandados pelo Capitão Storm (Capitão na Armada Norte-Americana) , os outros três participantes neste improvável grupo eram: Johnny Cloud (Navajo), Sarge Clay (um dos mais antigos Marines a servir na Guerra) e o Gunner MacKey (um dos mais novos). Por todos eles partilharem o facto de terem perdido homens e amigos em combate, pelos quais se sentiam responsáveis, apelidavam-se a eles próprios “The Losers”. Combatiam nas condições mais extremas e nos cenários mais difíceis. Eram os meus preferidos. A Ebal não publicou muitas destas aventuras, face ao maior sucesso do Sargento Rock, o qual também se encontrou com estes personagens em algumas aventuras, à semelhança do “Unknown Soldier”. Muito recentemente, qual foi o meu gáudio quando a DC publicou em edição de luxo as seis aventuras dos “The Losers”, pela pena do Kirby. Foi uma maravilhosa surpresa quando a minha esposa, no meu aniversário, entre outras grandes edições de comics, me ofertou este maravilhoso livro.


Quando o Vasco, na minha última ida à BDMania, me sugeriu o “The Losers”, eu disse-lhe que já o tinha. Na conversa percebemos que não estávamos a falar da mesma coisa! Foi aí que eu fui apresentado a este “The Losers” que me trás aqui. Embora possa parecer muito vagamente inspirado no original, este “The Losers” é pelo seu autor (Andy Diggle – já lá iremos) confessado como não terem nada a ver com os originais, uma vez que nunca leu nenhuma das aventuras desses últimos.
Os autores destes “The Losers” são os Britânicos Andy Diggle e Jock (Mark Simpson), os quais podemos ver na foto (da esquerda para a direita: Mike Carey, Andy Diggle e Jock). O Andy é conhecido pelas suas incursões em personagens como Swamp Thing, Adam Strange e Silente Dragon, para além de ter sido um dos editores da famosíssima 2000AD. O Jock também já tem os seus créditos firmados em edições 2000AD, em séries como o spin-off do Judge Dread, Lenny Zero e noutras como Hellblazer, Green Arrow e no mais recente Faker com o Mike Carey.


A história deste “The Losers” centra-se num grupo de Black Ops do exército Norte-Americano que se vêem traídos pela sua contra-parte da CIA na pessoa de um tal Max. Este Max é um ghost criado pela CIA com o objectivo de financiar A Companhia nos seus projectos mais obscuros. Dados como mortos na sequência de uma operação secreta, presumivelmente assassinados pela própria CIA a mando desse tal Max, decidem então criar um plano para se retirarem da lista negra de alvos a abater pela Companhia. Esse plano consiste na obtenção de provas das operações ilegais de financiamento da CIA, como o tráfico de droga, armas e consequente lavagem de dinheiro. Estas provas servirão de arma para chantagear a CIA e obrigá-la a retirá-los dessa suposta lista de alvos a abater na qual se julgam figurar e que os obrigam a uma vida na clandestinidade, impedindo-os de retomar a própria vida.
É uma história complexa, mas muito fluida, cheia de traições, equívocos, acção, estratégia, etc. Muito bem escrita e também muito bem ilustrada, é um exercício nas histórias de espiões e teorias de conspirações. Denota um espírito muito crítico à forma como certos assuntos internacionais conhecidos na realidade poderão ter sido de facto conduzidos. Não abdica, no entanto, de um tom de humor ao longo do enredo, aliado ao cinismo próprio que todas estas histórias já nos habituaram. Ao longo da trama desenrolam-se constantemente dúvidas que nos prendem ao guião e que nos compelem a ler, sem parar, para descortinarmos o fim.
A citação do Director da DEA, que afirma nunca ter tido um grande caso que não culminasse na dúvida ou na certeza da envolvência de uma qualquer Agência secreta faz-nos pensar na eventual podridão dos sistemas que nos governam e à qual o nosso sistema também não será alheio (vejamos o muito mal contado caso Camarate).


De leitura obrigatória para quem uma boa história de conspirações faz as delicias. Para terminar, será adaptado ao cinema muito brevemente.



Brevemente neste blog: Global Frequency por Warren Ellis e uma cambada mais de gente muito virtuosa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

ATÉ SEMPRE.

Hoje este Blog está de luto. Faleceu um grande, enorme, vulto da BD em Portugal: Vasco Granja (10/07/1925 - 04/05/2009).
Hoje tive o prazer de tornar a ouvir o Vasco Granja nas entrevistas do Carlos Vaz Marques na TSF, poderão ouvi-la novamente à noite a partir da 01h00m.

Hoje estamos muito mais pobres e tristes.

Até sempre, amigo Vasco Granja.