TANINO:
TANINO (Gaetano Liberatore. Quadri. 12/04/1953 - )
Este Arquitecto autor de BD, em parceria com Stephano Tamburini, criou o herói cyberpunk desprovido de carácter, Ranxerox, que debutou no nº 3 da revista Cannibale em 1978 (em Português, na Animal). O autor era presença assídua nas revistas “El Víbora”, “L’Echo des Savannes”, “Heavy Metal”, “Metal Hurlant”, “(A Suivre)”, “Chic”, etc.

Tanino não se encaixa na categoria de um autor essencialmente erótico, mas atingiu o patamar de mestre Italiano das formas femininas. O sexo aparece nas suas histórias como parte do contexto e só muito raramente como interveniente principal; as ninfetas que abundam nas suas histórias (em especial a companheira do desmiolado e agressivo herói, Lubna), tão novas que são que nem peito têm, são parte integrante e desconcertante pelo carácter violento e sádico que as movem na perseguição dos seus intentos, sejam eles quais forem.

Um dos aclamados trabalhos deste autor, “Liberatore’s Women” (1998), oferece-nos o talento enorme do seu criador na forma de rabiscos, esboços, aguarelas, óleos (etc) de cerca de 110 beldades em todas as poses imagináveis (desde masturbação assistida às fantasias); é um tratado e uma homenagem às pin-ups.
Outra aventura fora de colecção e que eu faço questão aqui em referir, mais para os amantes de comics, é a “E.M.P.S.”. Esta aventura mistura sexo, política e loucura num País dominado por uma ditadura socialista, onde a repressão policial é extremamente violenta, mas em que no entanto o governo oferece aos seus cidadãos um serviço gratuito de assistência sexual (!). A história desenvolve-se quando um velho homossexual e sadomasoquista recorre à ajuda médica disponibilizada pela assistência sexual. O médico reserva surpresas, pois debaixo da sua roupa esconde o uniforme do Superman…um devaneio louco de Tamburini desenhado por Tanino.
De acordo com a sua própria biografia, Tanino, desde criança que é fascinado por sexo (e quem não é?!).
MAGNUS:
MAGNUS (Roberto Raviola. Bolonha. 30/05/1939 – 05/02/1996)
Como a maioria dos mestres Italianos no desenho erótico, Magnus, teve formação em artes plásticas antes de entrar no mundo da BD. Foi um apaixonado pela 9ª arte desde tenra idade, o que o levou ao Liceu Artístico para se tornar desenhador profissional; depois estudou cenografia e pintura na Academia das Belas Artes; finalmente terminou a leccionar desenho.
Em Português só me lembro de o ter lido na revista “Grandes Aventuras Animal” (com o seu “Necron”, escravo sexual da sua Frankesteiniana criadora Dra.Frieda Boher) e nos álbuns da Martins Fontes. Mas em Espanhol era grande a fartura, desde a revista “El Víbora” até à mais recente “Kiss”.
Começou nos caminhos do erotismo em 1965, em parceria com Luciano Secchi, numa série que se propunha “copiar” o sucesso de Diabolik. Acabaram por criar não uma, mas duas séries,

“Kriminal”(aqui por baixo) e “Satanik” (Marnie Bannister), que é possível ler em Português através dos formatinhos da “Vecchi”.
Após ter sido descoberto o seu traço firme na construção e caracterização dos seus belos personagens, Magnus teve também direito a ver publicados os seus trabalhos nas melhores revistas de BD para adultos da França e da Itália; vê publicados também vários álbuns. Um dos seus mais famosos personagens foi o herói Alan Ford, que parodiava os agentes secretos muito em voga nos anos 60/70. Foi a partir de 1975, com a criação da série

de sex-fiction “il Briganti”, que cada vez mais mergulhou na BD erótica de carisma grotesco onde o estilo policial e de horror se misturavam entre si e o erotismo; nesta linha a sua criação mais conhecida foi o personagem Milady, uma estonteante prostituta de luxo. Na década de 80 surge o seu personagem mais conhecido e já mencionado supra, Necron; versão radical do clássico da literatura de Mary Shelley, “Frankestein”. Termino este pequeno perfil com a sua obra-prima da BD erótica, “As 110 Pílulas”, baseada num dos episódios mais corrosivos do livro “Jin Ping Mei”, um clássico da literatura erótica chinesa, passado durante a dinastia Sung, no reinado de Hui Tsung, período que ficou conhecido como Cheng Ho (O Império Harmonioso).
Refiro, embora não se enquadre no erotismo, a sua mais longa história em fumetti: Tex.

SAUDELLI:

SAUDELLI (Franco Saudelli. Latina. 04/08/1952 - )
Este confesso amante do Bondage (como se pode ver na sua imagem de apresentação, na companhia da sua esposa, Francesca Casotto) é por nós conhecido através da revista – mais uma vez – “Animal”. O seu personagem fetiche e principal suspeita na notoriedade do seu criador, Bionda, é loura. Não é uma “loira burra”, pelo contrário, é uma loira ladra bem inteligente e estreou-se na “Comic Art” em 1987. Para além de experiências um tanto ou quanto futuristas, as proezas de Bionda giram em torno dos hábitos e vícios da sociedade de consumo moderna, em tom de sátira social e com muito

erotismo. Bionda foi inspirada na actriz Kathleen Turner e nasceu da sua paixão, já referida, por temas de cativeiro.
Um dos primeiros trabalhos de Saudelli, o mais importante no lançamento da sua carreira foi o álbum “A Filha de Wolfland”; esta Graphic Novel é sem dúvidas um dos seus trabalhos com maior expressão. A história passa-se num país Europeu fictício, que se assemelha inequivocamente com a Alemanha dominada pelo Partido Nacional-Socialista de Hitler e a sua corrente Nazi, e tem como protagonista Muriel Kampf (referência à obra de Hitler, escrita durante o seu cativeiro). Embora não seja uma obra de erotismo puro, já possui algumas pranchas mais escandalosas onde o fetichismo impera.

GIARDINO: 
GIARDINO (Vittorio Giardino. Bolonha. 24/12/1946 - )
Um conhecido nosso, com álbuns editados pela Meribérica e pela ASA (também com outros editados pela Brasileira Martins Fontes), é, ao contrário da maioria dos seus congéneres autores de BD erótica, formado em Engenharia Electrónica. Só aos 30 anos de idade é que se decidiu dedicar à BD (felizmente para nós!).
Em 1983 criou o personagem “Little Ego”, que era antes de mais uma homenagem ao personagem de Winsor McCay, “Little Nemo” e às suas sonhadas deambulações pela Slumberland. Com “Little Ego”, Giardino procurou juntar o surrealismo do sonho com o erotismo em tom irónico. As suas histórias são curta, nunca ocupando mais de quatro páginas. Embora criada em 1983, só em Julho de 1984 é que a doce sonhadora debutou na “Glamour International Magazine”; a revista que depois a acolheu e a deixou sonhar sonhos molhados foi a “Comic Art” até 1989 – teve várias reedições noutras famosas revistas como a Heavy Metal e a Selecções da BD :-)
Não se pode dizer que seja um autor de BD erótica. Com a excepção da Little Ego não se conhece mais trabalho dele nessa área, mas a Little Ego é uma das minhas preferidas heroínas da BD erótica. Provavelmente a sua série mais conhecida seja “As Investigações de Sam Pezzo”, editada pela Martins Fontes.

Haveriam mais autores a merecer aqui serem referidos, com toda a certeza, mas acredito que consegui focar os principais pontos do erotismo na BD Italiana. Espero que tenham gostado e que não tenham apanhado uma grande seca.