
Pessoalmente gostei desta edição do Amadora BD, por muitas razões é certo, mas a principal foi por ser um sítio onde se respira BD durante algumas semanas, ou pelo menos tenta-se respirar, literalmente, e onde podemos encontrar de uma vez só todo aquele pessoal que não vemos no resto do ano. Pode parecer uma razão pequenina, mas para mim não é. Obviamente que todas as exposições de conhecidos e alguns desconhecidos autores são por mim muito apreciadas, as sessões de autógrafos/desenhos também, o espaço comercial, as bifanas, e até as pipocas que o meu pequenalho com dois anos e uns trocos adorou foram bem-vindas, os Cosplay são sempre divertidos. Outra coisa que eu também achei excelente ideia (que eu não vi noutros anos, embora possam ter lá estado) foi os salvadores dispensadores de água.
Não gostei do fosso onde estavam os autores/artistas convidados: parecia estar na fila para comprar bilhetes, era escuro, claustrofóbico, e num piso tão cheio que se tornava irrespirável. Respirava-se a transpiração de uns e dos outros; uma orgia de muito mau gosto que atentava à saúde pública. Sou propenso a ataques de pânico e quase tive um! Salvou-me o dispensador de água. Enquanto se fizer um certame num parque de estacionamento, não haverá, da minha parte, qualquer simpatia pela edilidade que o promove; afinal há dinheiro para tanta coisa, porque não investir na fábrica da cultura? Também não gostei da falta de respeito demonstrada por alguns autores convidados, provavelmente paga o justo pelo pecador, mas os atrasos às sessões de autógrafos são inadmissíveis, especialmente quando depois há alguém a impor limites às filas para respeitar a hora do fim dos autógrafos. Não gostei de certos autores armados em vedetas: quando se sentam para dar um autógrafo/desenho não devem desdenhar do papel que as pessoas lhes entregam para o efeito; são mal-educados e não têm respeito pelo próprio trabalho; quem tem unhas, toca guitarra, ponto final. Não gostei do "Grande Vigésimo", apesar de ter gostado do "trocadalho" com o "Petit Vingtième"(suplemento infanto-juvenil semanal do jornal Belga "Le Vingtième Siècle) , pese o facto de já estarmos no Séc. XXI!
Gostei muito dos jovens, mas nada inexperientes, autores portugueses presentes, mostraram todos uma panache e uma dedicação merecedoras de distinção. Certos tipos têm muito a aprender com estes grandes desenhadores e autores nacionais. Gostei do Achdé, é bastante simpático e conversador. Gostei do David Loyd, também simpático e muito comunicativo. Gostei muito do desenho do Boucq. Gostei de ver um dos espaços comerciais entregue a um alfarrabista-que-não-é-bem-um-alfarrabista. Estou solidário com os comerciantes que foram enfiados num buraco e não gostaram, e com aqueles que não se importaram, até preferiram, ficar com um lugar mais pequeno e melhor controlável do que o do ano anterior. Compreendo a desilusão da exposição dos 50 anos do Astérix, parece que se lembraram no último dia que o rapaz fazia 50 anos e até pareceria mal não ter lá uma salinha; também compreendo que um material mais rebuscado só existiria em colecções ou acervos de pessoas e instituições que já os teriam emprestado a outros certames com maior visibilidade. Gostei de encontrar o Geraldes Lino, que era inevitável encontrar pois ora bem e felizmente; lá me tirou uma dúvida bedéfila enquanto a outra permanece um mistério (farei um post sobre ela, quando finalmente comprar um scaner).
Quanto ao resto, não gosto muito de falar do que realmente não sei, embora me sinta extremamente tentado, claro! Não sei o que estará por detrás da organização deste certame; não sei qual é o orçamento; não sei quais foram as ideias originais, se todas vingaram e se não, porquê; não sei dos humores dos convidados ou do eventual preço deles, se é que existe um; não sei se é possível agradar a Gregos e a Troianos (diz-me a até agora experiência pessoal que não é); não sei se o “Manel” prometeu e depois não cumpriu à última da hora; etc. Portanto, não sabendo muita coisa, não será de bom-tom estar a maldizer apenas porque é fácil...que não o é, convenhamos! Somos todos críticos, mas eu penso que deverá haver uma base mínima de conhecimentos para se poder apontar os verdadeiros erros de uma qualquer organização, e eu não os tenho. Todas as opiniões deverão ser bem-vindas, pois é com elas que se encontrará um caminho para melhor corresponder às expectativas…dos Gregos e dos Troianos! Tinha muito mais a dizer, mas entraria toda no facilitismo que é mandar uns “bitaiques” para o ar. Há muitos que defendem a maior divulgação e comercialização do evento, e há outros que, ao contrário, defendem uma entrega do evento a um público mais especializado. Eu estou no meio caminho: creio que há espaço de sobra para as duas tendências. Mas, e atenção a este “mas”, no dia em que o festival se torne pertença dos intelectuais integracionistas do costume, eu deixo de lá ir (“Ainda bem!”, dirão eles.); o mesmo valerá se for entregue apenas à vertente mercantilista. Mesmo que gostemos de nos atribuir maior importância do que aquela que temos - e eu não fujo a esta regra – não devo estar só no meu pensamento. Sendo assim, não me afirmo como um papalvo, mas como um apreciador de BD feliz e que feliz se passeia, como muitos outros, com os seus livrinhos debaixo do braço, com a mulher e o filho a comerem pipocas alegremente e que lá vai aprendendo alguma coisa mais sobre o que é a BD…só não manuseio livros e pergunto o preço! Isso é que não, não vá eu ofender alguém…hehehehe!
Amanhã: Life...only better!