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terça-feira, 7 de abril de 2009

ED MORT

Já nem vou arranjar desculpas por estar de papo para o ar há tanto tempo.

Desta feita, trago aqui mais um dos meus melhores momentos de leitura. Cada vez que quero descontrair, mas sem abdicar de boa escrita, leio este marmanjão batido. Filho de um dos maiores expoentes da escrita Brasileira (para mim é!), Luís Fernando Veríssimo. Nascido na capital do Rio Grande do Sul – Porto Alegre – este prolífico e versátil escritor, que conta já com 72 anos (quase 73) é forte conhecedor da cultura Norte-Americana, fruto de lá ter vivido a grande parte da sua juventude. Contudo, é o Brasil a sua maior fonte de inspiração. Jornalista, publicitário, músico, cartunista, tradutor, guionista, autor de teatro e mais alguma coisa, com certeza. É filho do também escritor Érico Veríssimo (“Olhai os Lírios do Campo”, entre muitas outras obras de renome). Luís Fernando é muito conhecido pelas suas crónicas e textos humorísticos (mas muito sérios) na impressa Brasileira. Como cereja no cimo do bolo, o homem já trabalhou para a Playboy, ainda por cima a escrever sobre futebol!

Depois de muito trabalho, em 1979, publicou seu quinto livro de crónicas, "Ed Mort e Outras Histórias", o primeiro pela Editora L&PM, com a qual trabalharia durante 20 anos. O título do livro refere-se àquele que viria a ser um dos mais populares personagens de Luís Fernando Veríssimo. Uma sátira dos policiais noir, imortalizados pela literatura de Raymond Chandler (Philip Marlowe), Mickey Spillane (Mike Hammer) e Dashiell Hammett (“O Falcão de Malta”, com adaptação cinematográfica, protagonizado por Humphrey Bogart).

Outro trabalho do Luís Fernando que merece aqui destaque é o fantástico “Analista de Bagé”. Um gaúcho mucho macho, analista psicólogo da pesada, que faz da psicanálise uma ciência muito própria com a sua "técnica do joelhaço". Do mais divertido que eu já li. Publicado pela L&PM, com edição em BD (desenhado por Edgar Vasques) também disponível.

Ed Mort é desenhado pelo também grande Miguel Paiva (foto à esquerda), homem de muitos talentos, há semelhança do Luís Fernando. Mais novo, com 59 anos, é principalmente jornalista. Muito conhecido pelas séries “Radical Chic” (TV e álbum de BD pela chancela da L&PM – foto à direita) e “Gatão de Meia-idade” (foto à esquerda, em baixo), entre outras obras. Notório, entre nós, como autor e guionista de uma telenovela: “Malhação".

Ed Mort é um detective particular carioca (Rio de Janeiro), de língua afiada, coração mole e sem um tostão no bolso, que passou a protagonizar uma comic strip, publicada em centenas de jornais diários, gerou uma série de cinco álbuns de BD (1985-1990) e ainda um filme com Paulo Betti (foto à direita) no papel do grande Ed, que foi A escolha certa no casting.

Ed Mort tem um escri, pois já não tinha dinheiro para o tório, partilha-o com 117 baratas e com um rato, o Voltaire, porque vai e depois volta sempre. A preto e branco, para um efeito mais noir, este figurão é um romântico inveterado. A fortuna dele resume-se a uma carteira que ele compara aos pasteis que come no botéco do lado: cheia de vento. Envolve-se nos casos mais estranhos e, com a sua estranha lógica, sorte e azar do caraças, lá consegue resolve-los, com brilho até.
Tenho pena de não ter um scaner (eu sei que é imperdoável, pois custam tuta-e-meia ), por isso não posso partilhar mais imagens do que aquelas que aqui estão; não é fácil encontrar imagens do velho Ed na net. De qualquer maneira, ficam aqui algumas capas dos cinco álbuns editados pela L&PM: “Procurando o Silva” (em edição álbum e de bolso), “Disney World Blues”, “Com a Mão no Milhão”, “Conexão Nazista” e “O Rapto do Zagueiro Central. Absolutamente fantásticos.