quarta-feira, 18 de junho de 2008

WANTED

WANTED é uma mini-série de 6 comics editados pela Top Cow, é considerada um complemento à série “The Authority” (Warren Ellis e Mark Millar) e que é pressuposta ter uma premissa de Watchmen.
Em WANTED, Mark Millar – brilhante e muito controverso – traz-nos um Mundo habitado por Super-Vilões, os quais, após se terem organizado, acabaram com todos os Super-Heróis, dominado por cinco crime-lords e a sua fraternidade que tudo pode contra quem quer que seja e que viajam entre os vários Mundos paralelos saqueando quase que impunemente. O personagem principal é um jovem inadaptado e muito otário de 24 anos, Wesley Gibson, que descobre que o seu pai era um dos mais perigosos Super-Vilões à face do Planeta (Killer) e que lhe deixou como herança uma considerável fortuna; para poder ter direito a herdar, o jovem Wesley tem que aprender a ser como o seu Pai.
O Mark Millar, um Escocês (gozado pelos seus pares como forreta, fazendo jus à fama que acompanha os seus compatriotas – que eu considero serem bem generosos) com 38 anos e com demasiados créditos nos Comics para aqui serem referidos – abro excepção ao mega acontecimento Civil War – criou para esta sua série os assassinos “ultimate” (Pai e filho). Com arte do J.G. Jones este WANTED é uma leitura fácil mas um bocadinho perturbante devido à violência gratuita e pouco fundamentada dos seus personagens; isto é, embora sejam realmente todos Super-Vilões, o Mark tenta justificar o porquê da malvadez dos mesmos e aí perde em toda a linha, pois os pressupostos são fracos. No entanto, e no geral, a série é muito boa e constitui entretenimento garantido.
Tal foi o sucesso que, na senda aberta pelo recentemente e com muito sucesso estreado Iron-Man, a adaptação cinematográfica da mini-série estará muito brevemente a ser também estreada nas salas de um qualquer cinema perto de si (veremos se terá sucesso). O seu elenco é constituído por alguma estrelas do firmamento de Hollywood, entre elas a deliciosa Angelina Jolie (Fox), o oscarizado Morgan Freeman (Solomon) e James McAvoy na pele do protagonista, portanto poderemos contar com alguma qualidade; a realização está ao cargo do Russo Timur Bekmambetov, pouco conhecido, de onde apenas se poderá destacar os filmes “Night Watch”/”Day Watch”.
A ultima edição da série – “WANTED, Assassin’s edition” – para além dos seis comics compilados em hardcover, dá-nos uma série de entrevistas, esboços, “deleted scenes” e estudos dos personagens, capas alternativas e uma dust-cover que no reverso tem um maravilhoso desenho da bela e depravada Fox.
Não é uma série para meninos!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

AND NOW...SOMETHING COMPLETELY DIFFERENT:

Roubando esta famosa frase aos Monty Python começo este pequeno post a um dos mais famosos Comic/Revista de sátira: MAD Magazine…e, pois está claro, ao “usual gang of idiots” que a criou e ainda hoje, os que ficaram, a trazem até nós. Esta frase poderia muito bem ter sido aquela que antecedia o título MAD; no entanto a frase que antecedia o título era “Tales to calculate to drive you…”, que constituía uma paródia aos famosos contos policiais radiofónicos do seu tempo: “Tales well calculated to keep you…in suspence”. A outra frase vertical, “Humour in jugular vein” era por si só uma antecipação ao seu interior satírico.
Será um pequeno post, pois tudo o que há para dizer sobre este Comic/Revista e tudo o que nela se englobou e engloba seria trabalho para um largo compêndio, qual ensaio académico. No entanto, já havendo muito – ou pelo menos, algum – material publicado sobre este famoso pasquim, para quem quiser ler e aprender mais será fácil.
Eu fui apresentado a esta revista nos idos anos 80, já ela ia no número 269 (Março de 1987), em que a capa – a imitar a TIME Magazine “Man of the year” – era uma sátira a uma das figuras que ensombravam a relativamente recente MTV – Max Headroom – onde, como é costume, a figura de proa e que logo identifica a revista se “disfarça” de Max. A MAD só a muito custo se encontrava, sendo para isso necessário correr os hotéis que possuíam banca de jornais e revistas internacionais, pois mesmo esses hotéis não a recebiam com regularidade; a Livraria Barata também era paragem obrigatória, pois possuía, provavelmente, o melhor escaparate de revistas de BD internacional em Lisboa a par com a Linhares.

A versão Brasileira, embora tivesse debutado em 1974 pela chancela da Vecchi, só na década de 80 é que se tornou fácil de encontrar nos nossos escaparates. Nunca, na minha opinião, chegou aos calcanhares da original, pese o facto de possuir muita arte da original e também ter muitos artistas Brasileiros dotados e com muito material nacional – social e politico – para satirizar. Já conta com cinco edições: Vecchi; Record; Mythos e Panini que ainda a publica.

Fundada em 1952 pelos lendários William Gaines e Harvey Kurtzman é hoje, e desde há muito tempo, a última sobrevivente da clássica e aclamada linha EC Comics (estão agora disponíveis os HC – um para cada linha - compilando os seus respectivos números). Há muitos anos atrás, estava disponível na infelizmente já desaparecida Linhares (Meca dos Comics e BD internacional em Lisboa) a primeira edição slip-cased hardcover da Tales from the Crypt e MAD Magazine, entre outras maravilhosas relíquias.
Sobre os seus fundadores também existe muita coisa a dizer, não estivessem eles entre os mais controversos, geniais e inovadores mestres dos Comics Americanos.
Escrever sobre a carreira e a vida destes Srs. é indissociável da MAD.

O Harvey Kurtzman nasce em 1924 no bairro de Brooklyn, em Nova York, e depois de muita história de vida ver-se-á como editor da MAD em 1952. O aparecimento do Comic surge de uma disputa salarial em que o Harvey se julgava discriminado em relação ao seu outro colega editor, Al Feldstein. O Al era editor de mais Comics da linha EC e reconhecidamente mais rápido a produzir. Foi então proposto ao Harvey, pelo Bill Gaines, a edição de um Comic humorístico e se o fizesse com sucesso veria os seus honorários crescer; assim nasceu a MAD. Poucos anos depois, foi-lhe feita uma proposta para um novo trabalho; o Bill Gaines, não querendo perder o Harvey, decidiu um novo up-grade ao Comic – ao fim de 9 números já tinha passado de bi-mensal a mensal – agora, depois de 23 números como Comic Book, ao vigésimo quarto, mudou o seu formato para Magazine – de $0,10 passou a custar $0,25 – mantendo assim no seu cargo o seu principal impulsionador e ao mesmo tempo contornando a nova ordem que imperava sobre os Comics (já lá vamos!). Em 1956, no ano em que a MAD cresceu bastante, enquanto os outros títulos EC já tinham sido completamente abandonados, levantou-se um caso que ainda hoje é polémico: reza a história que o Harvey pediu ao Bill 51% do negócio deste, por achar que o sucesso da revista se devia apenas a ele; o Bill, então, substituiu-o pelo Al Feldstein e o assunto ficou arrumado. Tendo saído da revista, passou por muitas outras publicações de grande qualidade, embora efémeras; exemplos: “Trump”; “Humbug” (que vai ser editada em slip-case HC brevemente) e “Help!”. Dentro do trabalho produzido para a muito efémera e valiosíssima Trump (dois números em que o Publisher era o conhecidíssimo Hugh Hefner) destaco o seguinte: quem alguma vez leu uma Playboy Norte-Americana – para além de ver as belas Playmates – se calhar conseguiu chegar às últimas páginas, onde estavam impressas umas pranchas de um comic um bocado ordinário e cheio de um humor muito à parte daquilo que era usualmente visto; o personagem chamava-se Little Annie Fanny (disponível na Amazon.com em dois volumes) e o seu autor era o grande Harvey Kurtzman. O Harvey deixou-nos com saudades ao partir em 1993. Dele ficou um histórico e impressionante acervo e um prémio com o seu nome, para além da sua herança, que predomina no humor característico com que nos brindou ao longo de décadas. Nessa altura foi editado um álbum, onde se reuniram muitos dos artistas seus amigos e principais admiradores que confessavam fortes influências, esse álbum foi publicado pela Meribérica com o título “Estranhas Aventuras”. Muito mais havia para escrever sobre este artista/autor/editor para lhe fazer completa justiça.

O outro responsável pela criação do título MAD foi o seu “Publisher”, William Gaines, nascido em 1922 tendo partido para o outro paraíso em Junho de 1992. A forma do como e porquê deu ordens para a criação da revista já foi descrita no parágrafo anterior. Este Publisher é também autor de muitos e muitos textos humorísticos e é pedra basilar no estabelecimento dos Comics como arte respeitada. Empreendeu grandes lutas contra as forças que se interpuseram aos Comics, sendo a CCA a mais famosa (Comics Code Authority) – associada da CMAA (Comics Magazine Association of América). Foi também alvo de um inquérito da Sub-Comissão do Senado Norte-Americano para a Delinquência Juvenil, após ter sido publicado o livro “Seduction of the Inocent” (1954) do Dr. Frederick Werthman. Este autor, no seu livro, defendia a tese de que os Comics eram leituras para crianças e, por tal, deveriam ser alvo de séria análise (leia-se censura) antes de publicados…passo a descrever a mais importante parte do interrogatório da sub-comissão:
Chief Counsel Herbert Beaser: Let me get the limits as far as what you put into your magazine. Is the sole test of what you would put into your magazine whether it sells? Is there any limit you can think of that you would not put in a magazine because you thought a child should not see or read about it?

Bill Gaines: No, I wouldn't say that there is any limit for the reason you outlined. My only limits are the bounds of good taste, what I consider good taste.

Beaser: Then you think a child cannot in any way, in any way, shape, or manner, be hurt by anything that a child reads or sees?

Gaines: I don't believe so.

Beaser: There would be no limit actually to what you put in the magazines?

Gaines: Only within the bounds of good taste.

Beaser: Your own good taste and saleability?

Gaines: Yes.
Senator Estes Kefauver: Here is your May 22 issue. (Kefauver is mistakenly referring to Crime Suspenstories #22,May) This seems to be a man with a bloody axe holding a woman's head up which has been severed from her body. Do you think that is in good taste?

Gaines: Yes sir, I do, for the cover of a horror comic. A cover in bad taste, for example, might be defined as holding the head a little higher so that the neck could be seen dripping blood from it, and moving the body over a little further so that the neck of the body could be seen to be bloody.
Kefauver: You have blood coming out of her mouth.

Gaines: A little.

Kefauver: Here is blood on the axe. I think most adults are shocked by that.

Esta translação do inquérito é parte integrante da História dos Comics e da MAD, pois devido a esta “perseguição” a crise nos Comic Books iniciou-se; a MAD passou de Comic a Magazine (número 24) para se esquivar das restritivas regras da CCA (impostas em 1955), podendo assim o seu criador continuar a dar livre azo à sua criatividade. A título de curiosidade, a mensagem que o número 24 traz dentro é :"Buy this Magazine".

O William Gaines era o principal responsável pela publicação dos títulos EC Comics – são as siglas para Educational Comics e também Entertaining Comics – onde os seus mais conhecidos títulos adaptavam histórias bíblicas. O Bill encontrou o seu nicho nas histórias de terror, ficção-cientifica e fantasia; dos títulos mais conhecidos destaco o famosíssimo Tales From The Crypt; Shock SuspenStories e Two-Fisted Tales. Em finais de 1954 a linha EC começou a sofrer um grande revés, acabando por ser cancelada em 1955, muito pelas razões mencionadas supra. A MAD, por ser extremamente lucrativa, foi salva pela família Gaines, tendo continuado a ser publicada.

No início, a MAD, para além do já referido Harvey Kurtzman, tinha nos seus quadros os criadores/artistas Bernard Krigstein e Russ Heath; estes eram, na época, o reduzido “the usual gang of idiots”, embora o termo só ter começado a ser publicado nos créditos da revista muitos anos depois. Refira-se também, embora só tenha entrado em dois números da revista, tendo a seu cargo a capa do número 11, o artista Basil Wolverton, conhecido ainda hoje pelos seus desenhos grotescos e por si próprio professado como “Producer of Preposterous Pictures of Peculiar People who Prowl this Perplexing Planet”.

Como já tinha escrito, aquando da saída de Kurtzman deu-se a entrada de Feldstein (número 29), este último manteve-se no cargo de editor até 1984 – a MAD tinha um tiragem de mais de dois milhões de cópias por Mês – depois de ter estado 28 anos “sentado” no cargo. A entrada de Feldstein para editor da MAD coincidiu com uma nota da TIME que escrevia que a MAD era uma efémera revista pulp satírica; a própria TIME, hoje considera a MAD como a revista com mais sucesso nos anos 50, a par com a TV Guide e a Playboy, "engolindo" sem pudor a sua nota. Após a saída do Al entraram, como equipa, Nick Meglin e John Ficarra; este último ainda hoje se encontra à frente da edição da revista.

Querendo aqui apenas referir o impacto económico-político-social que a revista causou, embora relevante e no meu entender muito interessante, seria uma tarefa extenuante e em que me arriscaria a aborrecer-vos (ainda mais) se aprofundada com as devidas referencias, pois a ramificações são inúmeras, logo, extensas. Posso apenas dizer que desde lutas legais com o gigante Coca-Cola, entre outros; políticos como o Richard Nixon ou George Bush; e sociedade Norte-Americana, desde os puritanos aos extra-liberais, passando pelos patriotas, tudo aconteceu à, e com, a MAD.

Nas suas páginas desfilaram e desfilam os melhores autores/artistas, dos tempos idos e dos contemporâneos, com os seus recorrentes artigos, tais como: “The Lighter Side of…” do inesquecível Dave Berg; “Spy vs. Spy” do saudoso António Prohía; os Gags do também saudoso Don Martin (editados na integra em dois luxuosos HC slip-cased volumes – também o seu ghost-writer Don “Duck” Edwing (figuras marginais, mas de muita importância nos comics que valerão um futuro post); “A MAD look at…” e as “MAD Marginals” (também em formato XXL) do hilariante Sergio Aragonés; As sátiras às séries de TV e aos filmes, onde destaco o Mort Druker como artista e a relativamente recente paródia cross-over feita às séries Sex in the City e Deadwood, onde as protagonistas da primeira são contratadas como prostitutas para o Gem Saloon; “Snappy answers for stupid questions” do prolifico Al Jaffee; e claro, a “MAD fold-in”, que dispensa apresentações e que valoriza brutalmente a revista, quando não efectuada. Faltam aqui dezenas e dezenas de nomes que também muito justamente mereceriam a devida vénia.
Para terminar, teria que escrever sobre o rapazinho mascote da MAD…pois está claro!!! Nunca ficaria completo – mesmo que sucintamente – um post à MAD, se não se escrevesse sobre o ALFRED E. NEUMAN!
“WHAT, ME WORRY?” é a famosíssima frase do rapazinho com ar de, para uns, de totó, para outros, de maluco. O que é certo é que o Alfred, desde que debutou na capa da MAD número 24 – first cover appearence – embora só na capa do número 30 (1956) é que contará com capa só para si, o AEN raramente deixou de aparecer numa das 490 (Junho 2008) capas da revista, exemplos: a número 233, onde aparece o Pacman e a número 254. A sua primeira aparição é em 1954 na Ballantine’s The MAD Reader (compilação dos dois primeiros anos da MAD).
Mas esta figura caricata não é original criação do responsável pela sua fama, é um pictograma já conhecido pelo menos desde 1908 (à esquerda) e 1921 (à direita), mas foi adoptado pelo Harvey Kurtzman e adaptado pelo Bill Elder (a P&B) e depois, definitivamente, pelo Norman Mingo (a cores). Mesmo muito antes de 1908, em 1868 já se conheciam as caricaturas aos “Mik”, nome pejorativo dado aos Irlandeses, que eram já muito parecidas com a do Alfred E. Neuman; isto fez com que a MAD e o seu primeiro editor tivesse que defender em tribunal a propriedade da imagem do AEN para que permanecesse registada à revista. O nome Alfred E. Neuman foi retirado de um programa de rádio dirigido pelo comediante Henry Morgan, onde aparecia um personagem inócuo – do género, passado cinco minutos já não nos lembramos dele!) e que se chamava Alfred Newman – alusivo, mas sem relação, ao compositor oscarizado; agora, não me perguntem qual o nome que o “E.” representa, pois até hoje nunca consegui saber com toda a certeza (se calhar referência ao Henry, emudecendo o “H”). Uma curiosidade é que o Alfred nunca foi desenhado de perfil, mas sempre de frente, de costas ou então em silhueta. Outra curiosidade prende-se com a frase famosa acima assinalada “What, me worry” só por apenas uma vez ter sido alterada para “YES, me worry!”, depois do desastre nuclear de 1979 na Ilha de Three Mille. Foram, no entanto, feitas adaptações a outras línguas, mesmo a línguas mortas: “Quid, me vexari?”. Cada vez que existem eleições, lá vem o eterno candidato AEN com o seu também famoso slogan “You could do worse…and always have!” (MAD cover #218 que é um remake da capa do #30). Por incrível que possa parecer, sendo o Alfred uma das caras mais reconhecidas nos EUA, a revista que mais números vendeu foi o número 161 (Setembro de 1973) que satirizou o filme Aventura no Poseidon (versão 1973) e onde apenas aparecem os pés do Alfred.
Traduzida e/ou adaptada em 24 Países e para 17 línguas (na Índia é publicada em Inglês), é ainda hoje um enorme sucesso, com o qual eu me delicio todos os meses.
Para quem a quiser adquirir, hoje em dia não é muito difícil: é procurar uma daquelas tabacarias que a receba, se a começarem a comprar o distribuidor continuará a colocá-las nesse spot. O mais cómodo e mais fiável é irem à BDMania e fazerem uma standing-order; se não morarem na grande Lisboa, fazem-na online que o serviço ao cliente é excelente.

Para quem sobreviveu até ao fim deste post, pois os meus parabéns!

Agradecimentos especiais ao Doug Gilford, pelas capas aqui colocadas (maldito scaner e dono – eu - que é um nabisso!); O Doug é provavelmente o maior coleccionador de revistas MAD, o seu site é um autêntico babanço (não digo “inveja”, porque é feio!) para quem é coleccionador destas revistas: http://www.collectmad.com/madcoversite/ . Vejam a opção “Spice up your Mad covers the Bradford way!” Quanto ao resto, tudo serviu: a memória, os meus livros enciclopédicos sobre Comics e sua História e a Wikipédia (que repete os livros e dá mais algum material).

quarta-feira, 4 de junho de 2008

FELL: Feral City

Não é estar “sempre a bater na mesma tecla”, mas quando estou especialmente interessado num certo autor ou artista (por motivos de ter lido algo que me tenha agradado muito), tenho a tendência para me entrosar nas suas obras até me fartar e então mudar de ares. Neste caso mato dois coelhos com uma cajadada só.

Em posts anteriores já tinha feito um perfil de ambos os intervenientes responsáveis pela criação desta pequena obra-prima hard-boiled – Warren Ellis e Ben Templesmith – por tal apenas vou-me debruçar no personagem e sua estória.Richard Fell é um Detective que por razões ainda por apurar, mas que não foram as melhores, viu-se exilado numa zona muito bera, Snowtown, da grande cidade (que não é especificada). A imagem “o outro lado da ponte” é uma constante para lhe fazer lembrar, e a nós também, de uma outra vida com certeza mais glamorosa do que esta que agora vive. Richard Fell, qual Dante, explora e esmiúça este Inferno que é “o outro lado da ponte”, vivendo situações de intenso perigo pessoal. Incorporado numa esquadra desfalcada de operacionais – 3 homens e meio – e comandada por um Capitão que, ridiculamente, acredita nas artes mágicas como forma de ver resolvidos os infindáveis casos que afogam a dita esquadra – tal é o desespero que transformou o comandante num alucinado consumidor de barbitúricos – o nosso anti-herói aparece como um reforço de luxo mas ainda pouco acreditado como tal.

O traço do Ben Templesmith é também personagem principal, ao criar um cenário tão sombrio que por si só descreve o buraco deprimente e perigoso que é aquela parte da Cidade. Warren Ellis escreve short-stories nas quais, em cada uma, constrói o carácter dos personagens e dá-nos um caso policial com princípio meio e fim; cada um mais estranho e improvável do que o anterior e onde a máxima do Detective Richard Fell se aplica muito bem: “toda a gente esconde alguma coisa”.

É um reviver dos policiais negros da década de trinta muito adaptado à realidade actual e mais obscura que se poderia encontrar; o estilo Hard-Boiled no seu melhor. Editado em TPB, com capa alternativa (imagem abaixo), pela Image faz agora um ano, contém oito pequenos contos, perfazendo um total de 128 páginas de muito boa – arrisco: excelente – literatura bedéfila.

sábado, 31 de maio de 2008

78ª FEIRA DO LIVRO, DE LISBOA

Acabei de chegar da Feira do Livro de Lisboa e não resisto em deixar aqui as minhas frescas impressões da mesma.
Dificuldades de estacionamento já se esperava, mas desta vez não tive sorte em conseguir um lugarzinho para o pópó naquelas alamedas bem arborizadas paralelas ao Parque Eduardo VII, daí ter ido meter a viatura no parque subterrâneo, qual foi o meu espanto (embora não me devesse ter espantado!) que por três horas de parque paguei 4,80 Euros…é o que se chama “ir roubar para a estrada”…não bastavam as Gasolineiras!


A Feira está na mesma: ridículos e exíguos pavilhões; farturas; hambúrgueres; gelados; pipocas; gente, muita gente (!); preços que ficam muito aquém daqueles que poderiam ser praticados pelos Editores que aqui eliminam a margem de lucro dos “bandidos dos Distribuidores” (salvo seja!). Algumas Editoras lá tinham a bancazinha para um qualquer autor dedicar o seu livrito e assim se aproveitar daqueles que não resistem a um autógrafo (mesmo quando não fazem intenções de vir alguma vez a ler o livro moldura do dito cujo). Animação: nada! Pois…é um local por demais intelectual para ter direito a outras manifestações de cultura para além daquela que é impressa…nem que fosse música de câmara para animar a festa, caramba!



Fui à BDMania e lá comprei o TPB em formato especial “A Casta dos Metabarões”; o resto já eu tinha tudo, portanto resisti a não quebrar a tradição e lá gastei 13,50 Euros, mesmo já tendo os álbuns da malfadada Meribérica e os Comics da Humanoids Publishing; é que não gostaria de ver a prateleira desequilibrada com apenas o último livro, desculpei-me eu!
A DEVIR, mesmo ao lado, metia dó. Nada de novo, tudo já muito visto, apenas os álbuns em HC dos Piratas do Tiête me suscitou alguma curiosidade; no escaparate do lado “tudo a 5 Euros”, dizia a placa…como se fosse barato!
Não sei se deixei escapar a Sodilivros, corrijam-me se me enganei no nome dos Distribuidores que no ano passado vendiam tudo a 1 Euro. Se deixei, também não me interessa pois já tenho tudo (na minha colecção de álbuns faltam-me apenas uns 5 ou 6 livros do Blueberry e não acredito que os fosse encontrar ali).
Passei pela Bonecos Rebeldes e vi o novo livro BC por 15 Euros; comprei-o e não me arrependi.
Na Gradiva lá estavam os Calvin e FoxTrot; de novo apenas o número dois da Agnes; não comprei, pois não gostei do primeiro.
Na Bizâncio estavam a fabulosa série Baby Blues que a par com a série Zits (da Gradiva) devem ser as únicas a serem editadas quase que ao mesmo tempo do que a edição Norte-Americana.
Nas Edições Afrontamento perguntei pelo quinto e sexto volume da absolutamente fantástica iniciativa da edição traduzida da série integral Peanuts: só no Natal. São 24 volumes e por este andar só daqui a dez anos é que eventualmente estará completa!!!
De BD é isto…de pouca esmola vive o pobre!
Este ano o Grupo Leya lá entrou em força, e quando a polémica estalou eu até tomei o partido do Grupo, pois já estava farto dos mentecaptos do costume da APL. Pensei eu: - Ora ainda bem que há alguém com poder para fazer cair aqueles tipos do seu iluminado pedestal e consigam fazer com que os Dinossauros evoluam, já que não os conseguimos extinguir! Pois, pois! Agora estou aqui para engolir as minhas palavras. Que regabofe, que fogueira (ou feira, como preferirem) das vaidades, que ostentação e que tão mau serviço. Os livros estavam caríssimos, com descontos ridículos; as várias bancas estavam pejadas de “colaboradores” que percebiam absolutamente nada daquilo que estavam a vender (já lá vou com mais pormenor); a tenda central estava cheinha de caixas e era sempá’aviar o freguês; o acesso superior, que dava para a passadeira que dá acesso ao outro lado da feira, entupia a passagem de quem quer que fosse e, mais atento, reparei que, organizada tal como uma fortificação Romana de campanha, tinha as passagens para as Bancas das outras Editoras vigiadas por seguranças e máquinas de detecção para prevenirem que os mais atrevidos levassem o livrinho para casa sem primeiro o pagar. Já nem parecia a Feira do Livro…parecia mais a loja itinerante do Grupo Leya, qual Circo com a sua trupe de ilustres (e não tão ilustres) autores. Claro que fui à banca da BD da ASA! Perguntei ao “colaborador” de serviço (que já o ano passado lá estava) se tinha saído alguma edição para a Feira…a resposta do Sr. Colaborador, com ares de entendido: “Sim, este álbum, O Santuário de Gondwana.”. Fiquei perplexo e não resisti em lhe perguntar: - O Sr. percebe alguma coisa de BD?! Rodeou a pergunta, mas a ausência de resposta pronta foi esclarecedora. A ASA BD é triste e pobrezinha! Comprei o álbum do Titeuf que me faltava, custou-me dez Euros! Se o tivesse procurado com mais afinco numa qualquer grande superfície, provavelmente ter-me-ia custado 3 Euros (ou menos); será que as grandes superfícies têm prejuízo na venda desses livros?! Não me parece. De resto, o que existia nos escaparates dessa triste Banca eram Astérix, Lucky Luke, Spirou da joint-venture com o Público, Thorgal, BlackSad, e os outros títulos editados também com o Público. Repito: que pobreza.
Para me fazer sentir pior, lá se viam os “amigos” a aviarem-se de tudo o que era títulos, a custo zero; sacos e sacos de boa (e má) literatura prá rapaziada! Eu e os outros papalvos, que não são “amigos” de alguém, a pagarem por eles!
Nunca pensei dizer, ou escrever, isto: A APL é que tinha razão! É a minha opinião, e, contrariamente ao que sempre fiz e advoguei, não vou respeitar as contrárias.
Para a próxima vez que for à Feira do Livro não vou ao “Espaço Leya”, como pomposamente chamam àquela chafarica sem vergonha que conspurca o espírito (embora “fraco de” também se poderia prefixar) do que deveria ser uma Feira. Melhorar é possível, sem dúvida; Mas assim não!

terça-feira, 27 de maio de 2008

MIKE MIGNOLA - HELLBOY

Depois de um retiro merecido venho então com mais um post.
Desta feita trago-vos uns dos meus personagens e autores preferidos – se bem que sejam muitos, este ocupa um lugar especial por motivos especiais: foi a minha esposa (Mulher-Maravilha), que embora seja uma leiga na matéria, me ofereceu uma fantástica e enorme action-figure do Hellboy no nosso primeiro Natal; eu não tinha nada sobre o personagem e achei por bem ir ver quem era, em boa hora o fiz!

O Mike Mignola é já rapazinho para quase 48 anos e, como eu, um bocadinho careca…mas com pinta (!). Surpreendam-se, pois não nasceu em território abrangido pela Commonwealth! Embora eu tenha, até então, dado mais primazia aos autores Ingleses, Irlandeses e Australianos, já era hora de voltarmos aos Estados Unidos da América, também, e provavelmente acima de todos, pródigos em grandes mestres dos Comics – não fossem eles os seus criadores.
O Mike Mignola estreou-se em 1980 na Comic Reader com uma ilustração da bela Red Sonja; em 1981 estreou-se como cover artist na Comic Reader #196. A Comic Reader, embora seja uma ilustre desconhecida dos leitores transatlânticos, foi uma publicação fanzine de grande renome onde desfilaram uma plêiade de grandes autores e artistas e onde se estrearam alguns deles; era comandada, nos primeiros anos (1971-1973), por dois grandes nomes dos Comics: Paul Kupperberg e Paul Levitz; o primeiro era editor da DC e o segundo é o actual Presidente da DC Comics e responsável pela linha main-stream da gigantesca editora. Esta fanzine era de enorme utilidade para os “true-believers” da altura, pois trazia, para além das histórias, a referência de títulos publicados por ano de dados personagens dos comics (tipo Harvey Comics; Hanna-Barbera; Strips como Beetle Bailey ou mesmo Superman entre muitos outros) com as devidas cross-references entre personagens e publicações onde elas foram editadas; também era fonte de conhecimento para se saber se alguma revista tinha sido cancelada ou se pura e simplesmente a banca a tinha deixado de receber (as comic-stores não proliferavam na época); por último, a utilidade das previews, para as quais não haviam publicações especificas. É uma referência incontornável na história dos Comics, daí este pequeno destaque.


Depois desta pálida, mas sólida, passagem pela Comic Reader, o Mike passou para a casa das ideias como colorista, ou se preferirem “inker”, das séries “Daredevil”, “Power Man & Iron Fist” em 1983 e, mais tarde, noutros trabalhos no “The Incredible Hulk”, “Alpha Flight” (quem lia as revistas em formatinho da Abril, passou, sem dúvidas pelo trabalho do MM) e no “The Rocket Raccoon limited-series”. Em 1987, na DC, é encarregue de séries como a limitada “The World of Krypton” (vol.2) – escrita pelo grande John Byrne – o Mike Mignola afirmou-se em definitivo na arte e no mundo dos Comics tendo-lhe sido atribuídas novas séries e personagens de renome na Editora; destaco: Gotham by Gaslight (one-shot de 52 páginas e também editado pela Abril), percursora do conceito “Elsworlds”; e a fantástica mini-série “Cosmic Odyssey”, escrita pelo já “postado” Jim Starlin. Os anos 90 foram os anos do Mike; vários foram os trabalhos dele, entre eles o ter ajudado o cineasta Francis Ford Coppola na adaptação ao cinema do romance de Bram Stocker, Dracula; isto depois do próprio Mike o ter adaptado para Comics sob a chancela da Topps Comics.

Em 1994 o Mike recebeu uma proposta para se lançar com uma personagem própria. O Mike ponderou muito bem esta aventura – que para ele era realmente uma grande aventura, pois nunca foi muito de arriscar o que fosse – devido ao estado da Industria dos Comics e à incerteza que é sempre o lançamento de um novo personagem na selva dos leitores, arriscando-se ao esquecimento se esta fosse por eles rejeitada. Ao mesmo tempo, não se considerando um escritor com cabedal suficiente para debutar e fazer vingar um personagem seu por si só, o Mike, no seu primeiro título do seu “soon to be” grande personagem dos Comics, Hellboy, pediu ao seu amigo e anterior colega, John Byrne, que escrevesse o script do primeiro título da série, embora o plot seja do Mike. Então nasceu a história “Seed of Destruction” (1994), a primeira da série – vencedora em 1995 do prestigiadíssimo prémio Eisner para melhor escritor e artista – e que abriu o caminho de largo sucesso do personagem, que já conta com o spin-off B.P.R.D.. A história seguinte, “Wolves of St. August” já foi totalmente escrita pelo Mike, assim como a grande maioria das seguintes. As histórias apoiam-se no horror Lovecraftiano e a arte, abstracta, foi definida pelo Alan Moore como “the German expressionism meets Jack Kirby”; os cenários que figuram nas suas histórias aproximam-se inexoravelmente do estilo Vitoriano e Gótico e a maquinaria ao estilo steampunk; tudo isto funciona de forma magnífica, oferecendo-nos argumentos obscuros mas sempre, paradoxalmente, com humor.


Sucintamente, as histórias assentam na exploração e constante construção dos personagens, ricos quanto ao passado nebuloso, e nas investigações que estes levam a cabo para desvendar mistérios que envolvem, invariavelmente, o paranormal. O mistério principal que a tanto falatório dá azo junto dos fans da série é a própria história do Hellboy, a sua verdadeira origem, o seu propósito no nosso mundo e, claro, a sua enorme, desproporcional, mão de pedra. O Hellboy é um demónio que se recusa a ser um (daí serrar os chifres), conjurado por um mago/feiticeiro que não é outro se não o próprio Rasputine. Este conjurou o Hellboy com intenções de provocar o fim dos dias. Para mais terá que ler a primeira história.


Para ler o primeiro arco completo e em grande estilo, está disponível um generoso volume (primeiro de muitos), hardcover em linho preto com páginas cosidas, pleno de material inédito que eu aconselho veementemente a todos.

sábado, 10 de maio de 2008

DETECTIVE COMICS

A Detective Comics não precisa de grandes apresentações para nós, apreciadores de comics, mas queria fazer aqui uma homenagem a uma das primeiras revistas deste género, que vingou de tal maneira que ainda hoje é publicada, sendo a mais antiga publicação do género com 844 números em 7 de Maio de 2008.
A Detective Comics é, pois claro, uma revista de Super-Heróis em Banda-Desenhada Norte Americana – a este género de revistas dá-se o nome de Comics – editada pela DC Comics que é uma das principais editoras do género nos EUA. A DC Comics é subsidiária da Warner Bros. Entertainment, do Grupo Time Warner, desde 1969. A DC Comics foi fundada em 1934 como National Allied Publications pelo histórico Malcolm Wheeler-Nicholson. O nome DC foi adoptado devido ao seu principal título, a revista que aqui me trouxe, Detective Comics.
Ao longo de várias décadas fez a felicidade da criançada, público alvo das suas publicações, e o terror dos seus Pais, que achavam que só traziam más influências aos seus susceptíveis rebentos. Primeiramente como comic antologista, foi a terceira publicação periódica da editora de Malcolm Wheeler. Endividado, MW foi obrigado a fazer seu sócio o dono da Distribuidora das suas publicações e por sua vez o contabilista deste último também, tendo então sido criada a Detective Comics, Inc. (DC); tudo isto para que MW pudesse saldar as suas dívidas e seguir com a sua paixão. Um ano depois MW foi forçado a sair.
O primeiro número foi para as bancas em Março de 1937 e incluía estórias no género “hard-boiled detective”(para quem não associa o género, aconselho a leitura do título editado pela Meribérica, Hard Boiled do fantástico Frank Miller e desenho do Geof Darrow). Este género era extremamente popular e pode-se ver isso nas capas dos primeiros números da publicação que ilustravam detectives. Também para quem já leu os saudosos Mundo de Aventuras, lembrar-se-á de heróis da altura como Dick Tracy ou mesmo Spirit (num outro tom). A Detective Comics número um estreava-se com um vilão, Ching-Lung (não, não é o Ling-Chung!) que era o arquétipo do Chinês amarelo malvado ao estilo Fu-Manchu; também Samuel Emerson “Slam” Bradley, que por sua vez fazia o estilo dos detectives caracterizados pelos filmes noir da época: barba-rija, cigarros, wiskey ou bourbon puro e beautifull dames. Este detective foi criação dos futuramente célebres Jerry Siegel e Joe Shuster (quem serão?!). Também debutava Cyrill “Speed” Saunders, mais um detective, mas este era um aventureiro; a personagem actual Hawkgirl é sua neta! Estes são os que merecem destaque, mas a revista trazia mais personagens. A capa é da autoria do Vin Sullivan, primeiro editor da revista.
O sucesso desta revista abriu as portas a um admirável mundo novo dos Comics.


Em Abril de 1938 surgia a Action Comics número um (a data na capa era Junho; já nesse tempo tinham essa mania!), com o Homem de Ferro (não, não é o Tony) na sua capa a erguer um automóvel. Este personagem merece um post só dele, devido à rica história sobre a sua criação (sabiam que o original era um homenzinho telepata careca e louco que lavrava a destruição pela humanidade?!). Seja como for, a Action Comics ainda hoje existe com mais de 850 números publicados. Quanto ao Super-Homem, o seu primeiro herói, teve direito a uma publicação só sua em 1939, mas isso é outra história…
Um apontamento: Foi oferecido por este Comic, em estado de conservação NM (Near Mint), o valor de 1.380.000 Dólares...é verdade, tudo isso! Não são conhecidos exemplares nesse estado (9.4 CGC). Existem cinco cópias em VG (CGC 4.0) e apenas uma em VF+ (CGC 8.5)! Em meados dos anos 90 foram vendidas duas cópias VG por 150.000 dólares; hoje estão avaliadas em 500.000 dólares cada um!


Detective Comics famosas:

Número 27 (Maio de 1939): foi a “first appearence” do Batman, que se chamava originalmente “The Bat-Man”, da autoria do escritor Bill Finger e do artista Bob Kane, pese o injusto facto de só ao Bob Kane serem dados créditos pela autoria.


Número 38 (Abril 1940): first appearence do Robin, sidekick do Batman. As vendas aumentaram exponencialmente ao aproximar os leitores alvos deste novo herói. Mais tarde o grande Stan “The man” Lee, em plena crise dos comics, não foi nada burro e adoptou a mesma estratégia para lançar o seu Homem-Aranha. Também é de referir que a esta era, que se caracterizou pelos novos heróis e respectivos sidekiks (Captain America e Bucky, os mais famosos a par dos referidos supra), é chamada Golden Age (Coleccionem Golden Age comics).


Número 225 (Novembro de 1955): first appearence do J’onn J’onzz, mais conhecido por Martian Manhunter, que dispensa mais apresentações.


Finalmente, nos finais dos anos 70 e inícios dos 80, a revista adoptou o formato expandido na publicação “Batman Family” e adicionou estórias de outros personagens, que não o Batman, a solo. Refira-se, em especial, a maravilhosa antologia “Tales of Gotham City” que nos trazia estórias das pessoas comuns de Gotham. Isto porque a “Batman Family” ultrapassou em vendas a Detective Comics e foi necessário dar um “empurrão” a esta última, para evitar o fantasma do cancelamento da publicação. Outra estratégia utilizada foi a criação dos (malditos) crossovers entre as duas revistas que terminavam cada respectivo número com os também famosos cliffhangers. Em 7 de Maio de 2008 foi publicado o número 844 da Detective Comics, com capa de Dustin Nguyen, escrito pelo Paul Dini e desenhado pela dupla Nguyen e Dereck Fridolfs.

É obra!